A Cabra, a Sogra e o Dexter.

Tédio, morte e zoofilia juntos num mesmo sítio.

O Formigueiro Invisível.

“Pare”, “Siga”, “Ande aqui”, “Dirija ali”.

O Mundo de Verônica

Uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy.

Quando você morrer

O que você quer ser quando morrer?

Psicotuitoanalise #1 - Fanatismo

O novo método twitteriano de psicanálise avançada freudiana cerebelística anonencefálica.

sexta-feira, julho 19, 2013

Xeque Mate

Era uma noite como outra qualquer na minha casa: silenciosa, fria e parada. Eu, como era de costume, estava tranquilamente na minha cama jogando xadrez e tomando um suquinho de mango. Foi então, meu amigo, que comecei a reparar num negócio que, ou eu ainda não tinha reparado, ou tinha acabado de começar a acontecer mesmo. Comecei a ouvir um leve ruído vindo do meu armário-roupa, semelhante ao som de um bistolhudo, sabe? Meio que um misto do chacoalhar de duas pandetas com o tilintar de um besberro. Estava mais pra um runzido que um ruído pra falar a verdade, mas isso não vem ao caso. O mais curioso, meu amigo, não foi o fato de ter ouvido um estranho ruído vindo do armário-roupa, e sim que o ruído acontecia apenas na minha vez de jogar! O mais curioso ainda é que, naquele dia, meu amigo, assim como em todos os anteriores, eu estava jogando sozinho o tal do jogo-esporte xadrez. Confesso que fiquei, sim, um tanto encabulado.

Acontece que eu, como um fiel seguidor do Tristianismo, fiz um juramento em meu batismo no qual eu prometi que jamais abandonaria uma partida de xadrez enquanto ela não fosse concluída. Lembro das várias vezes em que houveram partidas disputadíssimas que duraram vários dias e eu não pude abandonar o assentamento da disputa. Obviamente em várias dessas vezes o meu assentamento se transformou num monte de fezes, mas eu não reclamo não, meu amigo, eu sei ser positivo, e o que eu sentia de tudo aquilo era apenas um assentamento macio, cremoso e quentinho. Eu sempre consegui enxergar a metade cheia da merda.

É claro que com o tempo eu aprendi e passei a deixar um penículo sempre ao lado caso precisasse, o problema é que, como eu sempre joguei sozinho-comigo-mesmo, era sempre a minha vez de jogar, e desta forma eu nunca tinha tempo pra fazer outras coisas a não ser pensar no próximo movimento. Foram anos seguindo à risca meu juramento sem falhar, mas confesso, meu amigo, que desta vez não estava nada fácil. Aquele runzido insistia em me desconcentrar. Eu já suportei telefone tocando, cachorro latindo, Balvão Güeno narrando, castarilhos caindo, mas aquele runzido, ah, aquele runzido, insistia em me atrapalhar.

Foi então que decidi tomar uma atitude drástica. Sim, amigo, às vezes sou bastante ousado. Resolvi que faria meus movimentos pensando no máximo dez segundos antes de fazê-lo, com o objetivo de terminar logo aquilo e poder averiguar o que poderia ser o maldito ruído. Confesso que me senti um pouco mal agindo daquela forma, mas não havia nada no juramento que impedisse que eu jogasse com pressa, então següi em frente.

Os segundos passavam, os ponteiros giraloravam, tac tic, eu girava o tabuleiro. O suor escorria, minhas mãos tremiam, tac tic. Eu molhava o tabuleiro de suor, os cavalos escorregavam, os bispos sapateavam, tac tic. Havia uma tensão no ar. Comecei até a ouvir uma música de suspense/adrenalina, ela fazia tutatutatutatutatuta, mais ou menos como naquele filme Estripcosis. A música foi me desesperando, eu movia rapidamente as peças, o tabuleiro girava de um lado pra outro, eu jogava de volta, ele girava, suor escorria, a música tocava, eu jogava de volta. Quando resolvi parar um momento pra respirar, percebi que a música na verdade era apenas o runzido mesmo. Irritado, fechei os olhos e respirei profundamente, fazendo avuar o suor que escorria e chegava em minha boca. Olhei de volta pro tabuleiro e vi. Sim, meu amigo, eu vi, era claro como a luz do Dida, estava ali, brilhando pra mim, chegava a ser irritante de tão cristalina. Eu conseguia visualizar a próxima jogada, como se setas digitais surgissem sobre o tabuleiro e mostrassem o que estava pra acontecer. Eu estava me sentindo dentro de um tira-teima do Arnaldo César Coelho. Reuni toda a energia que pude, e gritei, em alto e bom fom:

- XEQUE. MATE.

E foi aí que fui surpreendido, amigo, deverasmente surpreendido. O runzido de repente parou. Houve uma breve pausa no tempo, como aquela do Matrix em que tudo para e a câmera gira (só que sem a câmera girando, no meu caso), o armário-roupa vibrou, abalou, sacudiu, balançou, e por fim caiu. Poeira foi levantada e após esfregar meus olhos vi, olhando pra mim, um singelo e assassino cheque. Sim, meu amigo, um cheque sobrevoava logo à minha frente e me ameaçava com uma frasca em uma de suas pequenas mãos.

- Mas oh, cheque, o que fazes aqui? O que queres de mim? Sou apenas um simples e humilde Tristão jogador de xadrez. - perguntei me fazendo de desentendido, afinal, eu não estava entendendo nada mesmo.

- Aow to aqui porque recebi um chamado. Eu passei anos viajando de armários-roupa pra armário-roupas em busca deste momento que acaba de chegar. Aow você pediu pra que eu te mate, e é isso que vim fazer. Aow.

- Mas oh, cheque, é aí que vosmecê se engana! Admito, sim, que pedi que matasse, mas não foi a ti que pedi, companheiro cheque. O objeto no qual me dirigi era um Xeque, e não um cheque. Compreendes o mal entendido? Compreendes o Xis dessa questão?

Foi então que algo esplendorosamente assustador aconteceu. O cheque se virou de costas, flutuando, e a verdade foi atirada em minha face como um catchoro na turbina de um avião. Ele mostrou sua marca no que seria a parte de trás de um ombro, caso ele fosse uma pessoa, e então percebi que ele era nada menos nada mais do que um cheque da Xuxa, ou seja, começava com X, como tudo mais que a ela pertence. Fiquei aterrorizado. Pulei da cama, peguei todos os objetos que apareciam na minha frente e os atirava no inimigo. Porém, tudo que eu atirava o Xeque simplesmente engolia, e após poucos minutos meu quarto já estava vazio. Foi só então que percebi que na verdade se tratava de um Xeque sem fundo.

Eu não tinha mais nada, ele engolira tudo que atirei, meu amigo, inclusive minha dignidade. Só o que restava era minha esperança. Caí de joelhos, pus minhas mãos em minha face e tentei arrumar alguma solução. Foi quando eu percebi que o runzido havia voltado, e não só tinha voltado como estava ficando diferente. Ele aos poucos começou a se transformar, aumentar o volume, e comecei a ouvir uns sonzinhos diferentes, como pianinhos, tecladinhos e tintilinhos do além. Enquanto o som foi aumentando fui levantando a cabeça, era como se aquele som estivesse me dando forças. Ele continuava, o Xeque ainda olhava pra mim, mas de repente soltou sua frasca, e deu um leve sorriso de canto de boca, como se impressionado. E então o runzido cantou:


♪ Tudo pode ser, se quiser será
♪ O Sonho sempre vem pra quem sonhar

E então eu entendi, meu amigo, eu entendi tudo. Eu entendi a vida. Entendi o Xeque. Me entendi. Entendi você.

♪ Tudo pode ser, só basta acreditar
♪ Tudo que tiver que ser, será

Era Lua de Cristal tocando, e a única coisa que sou capaz de dizer sobre aquele momento, amigo, é que: foi lindo. Embalados pela melodia da canção e pela voz da Rainha Xuxa, eu e o Xeque cantamos e dançamos. Unidos. Felizes.

♪ O sonho está no ar
♪ O amor me faz cantar

Transamos ali mesmo.

Hoje, anos depois, eu e Xeque formamos uma linda família. Tivemos quatrocentos e trinta e cinco chequinhos filhos, dos quais vendemos todos, exceto os sem fundo. Nossa vida é baseada em jogar xadrez ao som da Rainha Xuxa, não saímos mais de casa e não trabalhamos mais, afinal quando precisamos de dinheiro fazemos novos filhos.

Essa é minha história, e se ela tivesse que ter alguma moral, algum recado pra passar, acredito que seria: Vamos com você, nós somos invencíveis, pode crer ;)~

Grande abraço.

sexta-feira, março 15, 2013

Ode ao Ódio

Olá, quero que você morra
Quero que apodreça
Que pereça
Que faleça
Sua cachorra

Mas calma, não fique assim
Cala a boca e sossega
Vai que a faca me escorrega
Você pode ficar cega
E nunca mais olhar pra mim

Não queria ser hostil
E tampouco violento
Mas se não quer que este momento
Fique sujo e sangrento
Volte logo ao teu canil

Nosso passado está tão apagado
Quanto seu nome em meu diário
Não adianta ficar nua
Nem beijar o escapulário
O que é seu está guardado
Pra ser usado em seu calvário
Só desejo te encontrar na rua
Com você num carro funerário

Que sua mãe tivesse abortado
Que não existisse seu aniversário
Que nunca tivesse me encontrado

Que este poema alcoolizado
Doentio e imaginário
Nunca lhe seja dedicado

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Toalha, o Dinheiro e a Casinha.

[Este texto é a continuação DESTE TEXTO AQUI. Então já sabe né.]



Eu teria que agir o mais rápido que eu pudesse e fazer a primeira coisa que viesse em mente, pois caso contrário perderia tempo e minha namorada poderia encontrar sua mãe estirada no chão, sangrando, e eu ainda com as calças no tornozelo. A primeira coisa que fiz foi pegar a toalha que minha sogra foi buscar e cobri-la, pois assim não seria identificada ao longe. Logo em seguida, ainda sem saber o que fazer exatamente, comecei a levantar minhas calças e me preparei pra sair em disparada em direção à casa, pra tentar impedir que alguém chegasse até o local. Logo que minhas calças alcançaram a cintura dei uma última olhada pra trás, enquanto dava o impulso pra começar a correr, e foi quando a vi, a cabra ainda estava ali, parada, com o traseiro apontado pra mim e sua cabeça também em minha direção. Ela disparou um olhar como quem estava dizendo telepaticamente "você fez uma puta duma merda seu safado, uma grande merda mesmo, gigantesca, cê tá fudido, não vai se safar dessa não, rsrsrshahauha". Me desconcertei com aquele olhar e acabei tropeçando no meu próprio pé e caindo em cima da minha sogra, sobre a toalha. Me levantei assustado com a queda, com a cabra, com tudo, e finalmente saí correndo, mas dessa vez sem a loucura de olhar pra trás. Se Usain Bolt estivesse correndo ao meu lado naquele momento, ele perderia.
Atravessei o quintal, a cozinha, e cheguei aos trancos e barrancos na sala de estar, com uma cara de filho da puta, suado, arranhado, com a braguilha aberta, na mesma hora que minha namorada abriu a porta. Ambos nos assustamos com o encontro, mas foi ela quem perguntou primeiro:
- Nossa que isso!? Por quê você ta desse jeito?
(Pensa pensa pensa caralho pensa)
- Ah! Eu tava correndo atrás da galinha que fugiu, tentando pegá-la. rsrs
- Como assim fugiu? Elas já ficam tipo... soltas.
(pausa dramática - pensa pensa pensa)
- Não, é que tipo, uma saiu do lugar onde elas ficam, costumam ficar, foi correndo sozinha pra outra direção, aí eu fui lá pra tentar mandar ela de volta, só que acabei caindo e tal haha.
- Ahn... rs
- Eu gosto de correr também.
- Não sabia.
- É, tava afim de correr, fazer alguma coisa, haha
- Entendi. Na verdade eu voltei porque esqueci o dinheiro em cima da mesa - por que TODO MUNDO tava esquecendo alguma coisa naquele dia só pra me ferrar? - vou ali pegar logo, o caseiro tá esperando. 
- NÃO PREcisa! - consegui perceber na primeira sílaba da segunda palavra que eu estava um pouquinho alterado e que talvez ela percebesse, então amenizei o tom da voz, o que talvez tenha deixado a frase ainda pior, mas foi o que deu pra fazer - Eu busco pra você.. meu... amor.
- Nossa, "meu amor"? Que bicho te mordeu? - talvez eu não fosse tão romântico na maioria do tempo.
- Uma galinha!! hahaha - ri como se aquela fosse uma das melhores sacadas humorísticas da década, ao mesmo tempo em que mantinha uma cara de leve desespero e meu olho se carregava com uma pequena quantidade de lágrimas, obviamente não pelo humor, mas pela angústia dentro de mim. Me virei logo e fui buscar a porra do dinheiro.

A janela da cozinha dava de frente pro local onde havia uma cabra dissimulada e uma toalha toda ondulada, como se houvesse alguém se escondendo embaixo dela, então era melhor que eu mesmo fosse pegar o dinheiro pra não correr o risco dela ver aquilo lá fora. Entreguei os trinta reais, e ela logo então voltou para o carro e juntamente com o caseiro partiu de vez pra comprar sei lá quais merdas pro maldito café da tarde.
Eu estava transtornado, sentia que a qualquer momento poderia desmaiar, mas tentei ser o mais forte possível pois caso isso acontecesse a merda seria maior. Dei uma rápida e profunda respirada e logo depois reativei meu modo Usain Bolt, correndo sem nem saber pra onde, nem o que fazer, mas correndo, o negócio era esse. Corri por alguns segundos até que cheguei no quintal e o que eu vi foi arrasador, ou melhor, o que eu NÃO vi. MINHA SOGRA NÃO ESTAVA MAIS LÁ! NEM ELA, NEM A TOALHA, A CABRA, O VAral... ué, o varal? Foi quando eu percebi que na verdade eu tinha corrido pro outro lado da casa, e lá não deveria ter nada mesmo. Teria sido engraçado aquele momento de grande desespero pensando que minha sogra havia reacordado e sumido dali, mas não foi pois eu estava realmente desesperado. 

Parti em direção ao local do crime, e confesso que senti certo alívio quando avistei aquelas ondulações cobertas por uma toalha no chão. Mas a cabra já não estava mais lá. 
Chegando ao lado da minha sogra, que ainda se encontrava inconsciente, comecei a refletir enquanto recuperava o fôlego. O que Dexter faria num caso desses? - eu pensava. Ele era o rei de fazer merda, matar pessoas, e nunca ser pego. Não é possível que eu, na minha primeira grande merda, já me foderia.  
Foi quando eu virei a cabeça pro meu lado esquerdo e a avistei, ela, a maldita cabra. Ela estava parada, ao lado de uma casinha (dessas que abrigam todas as coisas inúteis do sítio e que ninguém tem coragem ou saco pra jogá-las fora), olhando pra mim. Me olhou fixamente por cerca de 5 segundos, dando umas 3 mastigadas neste intervalo de tempo, e depois olhou pra entrada da tal casinha, onde ficou olhando por uns 2 segundos, antes de voltar a olhar pra mim. A mensagem foi clara, e eu a captei.  
Eu tentei várias formas, mas a melhor e mais fácil que encontrei de carregar minha sogra semi-obesa até a casinha foi puxando-a pela perna, talvez houvesse um modo mais prático, mas eu não descobri no momento. Eu não tinha tempo pra pensar se ela estava se machucando muito no percurso pois eu estava ocupando minha mente com questões mais importantes como por exemplo "ok, vou levá-la até a casinha, mas e depois o que é que vou fazer com a desgraçada?". 

Chegando lá dentro, fechei a porta de madeira, e me agachei ao lado da desmaiada. Pensei no máximo de possibilidades possíveis do que fazer. Se eu a deixasse viva, estaria fudido. Se ela não ficasse viva, não seria tão diferente assim, pois eu com certeza seria o principal suspeito por ter ficado sozinho com ela no sítio durante este período. Mas e se ela simplesmente desaparecesse? Sem mais nem menos? Assim como as vítimas do Dexter. A diferença é que ela não era uma criminosa qualquer, uma assassina, e teria pessoas que sentiriam sua falta. Mas nenhuma das possibilidades, por mais absurdas que fossem, era pior do que deixá-la viva. Sobre isso eu estava decidido. A única dúvida que restava era o que fazer com o corpo depois. Enquanto eu não chegava a uma conclusão, vi uma lona, como aquelas que ficam em carrocerias de caminhões, num grande rolo, embaixo de uma bancada. Foi quando eu repentinamente decidi de vez o que faria. Eu agora já tinha uma lona pra revestir o interior (ou grande parte) da casinha, e uma bancada pra colocar minha sogra em cima. E então, sabendo o que fazer, dei início ao meu primeiro ritual. 


Continua...

terça-feira, janeiro 08, 2013

O Formigueiro Invisível.


Sofia havia acabado de assistir ao filme "Waking Life" e estava se sentindo inspirada, como se após aqueles minutos olhando pra tela de sua tv tivesse passado a entender muito mais sobre a vida. Não a dela, nem de ninguém, mas a vida em geral. Coisas que no fundo ela sentia que já sabia, mas ainda não havia parado pra pensar mais detalhadamente. De qualquer forma, se sentia agora mais viva, mais liberta. Liberta nos pensamentos, na vida, nos sonhos, em tudo. Liberta na sua essência. "E se tudo isso for realmente apenas como um sonho?" Ela pensava. Ela não se conformava com aquela vida robotizada, com todos aqueles dias iguais, máquinas caminhando pra cumprirem com suas rotinas como se houvesse algum propósito, enquanto no fundo todas elas sabem que não há propósito nenhum no final das contas. Final das contas? Elas nunca acabarão na verdade. Não só nunca acabarão, como são elas próprias o motivo pra quase tudo isso.
Sofia queria mudar, e sentia que podia. Não sabia ao certo mudar o quê, nem como, mas sentia que podia. Sentia que quem limita a vida de cada um são as próprias pessoas, que quem molda nosso dia a dia e nossas necessidades somos nós mesmos. Uma certeza ela tinha, ela queria mudar. Enquanto pensava e caminhava em direção à Estação, sua respiração acelerava. Queria quebrar a rotina, não sabia nem por onde  nem como começar, mas tinha certeza que podia. Até que nessa excitação mental entre querer e poder, acabou esbarrando em um rapaz que seguia o caminho contrário ao dela. 

- Desculpe! - Ela disse.
- Opa, desculpa aí. - Ele respondeu.

O rapaz seguiu seu caminho e Sofia permaneceu parada um momento. Aquela excitação fora trocada por uma dose de adrenalina instantânea devido ao trombo com o rapaz, e por um instante ela pareceu ter se esquecido do sentido de tudo aquilo que tinha em mente. Nada fez sentido por alguns poucos segundos, até que quando moveu sua perna para continuar seu caminho, todo aquele sentimento retornou, tudo voltou à mente. Sofia lembrou que não só queria como podia mudar, e percebeu que aquela poderia ser a hora. Tinha até os diálogos do filme que acabara de assistir vivos na memória, e achou aquele momento mais do que oportuno. 
Se virou pra trás, deu uma corridinha em direção ao rapaz que havia acabado de trombar, e gritou:

- Ei, você!

Ele olhou pra trás, fez um gesto como se questionasse se era com ele mesmo, e ela devolveu com um gesto afirmando que sim. Ele virou a cabeça pra confirmar que ela estava mesmo o chamando e não alguém atrás dele. Confirmou, e então foi em direção à ela. Quando se aproximou, Sofia logo disse:

- Podemos começar de novo? Sei que não nos conhecemos... Mas eu não quero ser uma formiga. Passamos pela vida esbarrando uns nos outros, sempre no piloto automático, como formigas, não sendo solicitados a fazer nada de verdadeiramente humano: “Pare”, “Siga”, “Ande aqui”, “Dirija ali”.

O rapaz a olhava com ar de desconfiado, talvez confuso, e depois de uma minúscula pausa apenas pra recuperar o ar, ela prosseguiu:

- Ações voltadas apenas à sobrevivência. Toda comunicação servindo para manter ativa a colônia de formigas, de um modo eficiente e civilizado: "O seu troco.", "Nota fiscal paulista?", "Crédito ou débito?", "Aceita ketchup?". - Ela ia discursando cada vez mais animada, até um pequeno sorriso ia se formando enquanto ela continuava:

- Não quero um canudo. Quero momentos humanos verdadeiros. Quero ver você. Quero que você me veja. Não quero abrir mão disso. Não quero ser uma formiga, entende? - Agora ela ansiava por uma resposta, e parecia que era o momento. Após um breve silêncio absoluto, o rapaz entendeu a situação e finalmente respondeu:

- Ahn, beleza, cê mora aqui perto gata? 

Sofia murchou, se decepcionou intensa e instantaneamente, como se aquela adrenalina de segundos atrás tivesse tomado o caminho contrário e a atingido em cheio. Estava perplexa. Destruída. Abaixou a cabeça e fez o seu melhor para retornar ao caminho da Estação sem que fosse seguida, ou quem sabe assediada, não sabia mais de nada, apenas que queria sair dali. Ela agora não tinha mais tanta certeza assim de que é possível mudar, não tão facilmente. Não sozinha. Entrou no metrô.

Sofia chegou em casa desolada, e a primeira coisa que fez ao abrir a porta foi apertar o interruptor, que não respondeu ao seu comando. Apertou novamente. Nada. A  luz simplesmente estava lá, nem acesa, nem apagada, apenas luz, e ela nada poderia fazer em relação a isso. Se deitou. Sonhou. Acordou.

Acordou.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Então é Natal

Aconteceu uma coisa muito louca neste natal. A ceia tinha acabado, o pessoal já havia ido embora, e então eu fui pro meu quarto pra trocar de roupa e assistir alguma coisa até dar sono.
Confesso que não dou muita bola pro Natal não, mas acho uma data muito importante, não pra mim, mas pro mundo em geral. Não por comemorar o suposto nascimento de Jesus ou sei lá o quê, mas pela mobilização de todos, pela união que acontece entre as famílias, amigos, e etc, que geralmente acontece na data.
Troquei minha roupa, peguei o controle remoto da tv e me preparei pra deitar na cama, até que: pawtrastrustastistis (onomatopeia de alguma coisa caindo do lado de fora da janela do meu quarto). Meio assustado, fui em direção à janela pra ver o que era, e quando a abri logo se levantou do chão uma pessoa toda de branco e com asas, que quando a vi soltei um leve grito ("aauhh") e dei dois passos pra trás, mais assustado ainda. 

Era uma mulher vestida de anjo, de pele um pouco clara, aparentando ter uns 45 anos, os cabelos eram encaracolados e escuros, tipo o do Maradona na época que jogava bem e cheirava cocaína, só que um pouco mais armado (o cabelo) e maior. Ela estava com um sorriso estampado no rosto e a mão esquerda levantada, como um garçom que segura uma bandeja, só que sem a bandeja. Parecia estar esperando que eu a convidasse pra entrar, mas aquela situação era muito estranha pra mim, mais estranho ainda é que de alguma forma ela me era familiar, eu já havia visto aquele sorriso em algum lugar. Seria o Natal realmente mágico? Deus teria mandado um ANJO pra falar comigo? Será que eu sou especial? Sou eu quem vou salvar a humanidade?? Várias coisas passavam pela minha cabeça.

Ficamos nessa por uns 30 segundos, eu parado e ela com o sorriso, do lado de fora da janela, até que resolvi falar, e quando abri a boca pra perguntar "wtf?", ela me interrompeu:
- Então, então é Natal - disse de uma forma clara e singela, ainda com o sorriso.
- É, tô sabendo - respondi.
- E o que você fez?
Essa pergunta me deixou na dúvida, como assim o que eu fiz? O que eu fiz no Natal? No ano? Na minha vida? Espera, o que tá acontecendo aqui? Mas enfim, escolhi a primeira opção.
- Ah cara, teve um amigo secreto aqui agora há pouco, ganhei umas havaianas, e depois fiquei só comendo mesmo. Até sobraram algumas coisas ali, se você quiser.. - resolvi arriscar que ela estava em busca de comida. Não tinha cara de mendiga, mas era uma hipótese..
- O ano termina, e nasce outra vez.
- Verdade né, rs - poucas conversas na minha vida fizeram tão pouco sentido quanto aquela que eu estava tendo no momento.
- Então é Natal, a festa Cristã - Ela insistia
- Olha ok, legal, mas pelo amor de deus, diz logo o que você quer! Ou de onde você veio, ou melhor ainda, QUEM CARALHOS É VOCÊ??
Logo o sorriso dela finalmente desapareceu, enfim abaixou sua mão que segurava a bandeja invisível, e olhou com cara de desapontada pra mim. Senti que peguei pesado, mas não sabia por quê.
- Então você não me conhece? - ela perguntou.
- É... não - eu ainda tinha dúvidas se a conhecia ou não.
- Claro que não, hoje em dia ninguém mais ta preocupado em passar o natal de forma decente, ouvindo MÚSICAS NATALINAS, hoje o povo só quer saber de putaria, de Walesca Popozuda, Mr. Catra, e essas merda toda.
- Ca- calma moça, não é assim também, eu até...
- Calma o cacete! E moça o caralho! Tenho mais de 50 anos seu pivete dos inferno. Tá vendo esse monte de cds aqui?? - ergueu um saco branco que parecia ter uns 300 cds lá dentro e sacudiu - Todos gravados por mim! Antes as pessoas compravam por livre e espontânea vontade, elas adoravam, cantavam, essa merda era o hino do natal! Mas agora não, agora vocês ficam aí com esses lixos de músicas, que me dá até vontade de cagar no cd, vomitar em cima, e depois dar pro artista comer, tipo aquele vídeo lá do 2 girls 1 cup, sabe?
A conversa estava indo longe demais, e eu ficando mais preocupado e assustado com tudo aquilo. E pra piorar ainda me lembrei de imagens do vídeo que ela citou.

- Ok. Calma moça. Digo, senhora. Ou senhorita. Vai dar tudo certo, mas antes você precisa me dizer o que é que você quer, senão eu não consigo te ajudar. Pode ser? - fiquei até impressionado com minha serenidade
- Meu queridinho, quer saber o que eu quero? Eu só quero que todo mundo volte a comprar essa merda de cd, que cantem e façam uso dele no natal. Tudo que eu tinha na vida era o Natal. Todos me amavam, se lembravam de mim, me chamavam pra cantar as músicas ao vivo, já fui até pro Faustão!
- Nossa, é mesmo? Você não deve ser muito da minha época de faustão então, porque acho que realmente não te conheço, - a mulher já tava pirando de vez só podia - mas eu não tenho a memória muito boa também né, pode ser isso.
- É, pode ser. Mas enfim, compra um cd aí.
- Pera. Espera. É SÓ ISSO que você quer então? Invadiu minha casa vestida de anjo, veio com uns papos estranhos, me xingou na minha própria janela, tudo isso só pra que eu compre essa merda de cd??
- Merda não! Isso aqui é o espírito natalino encarnado num cd meu queridinho.
- Tá, tá, entendi. E quanto custa?
- Quanto vale o natal pra você?
Suspirei.
- Ah sei lá, acho o natal super importante e tal pro mundo, mas não sei dar um valor assim em dinheiro pra ele. Acho que nem tem como.
- Vale mais que seu rim?
- Como assim vale mais que meu rim?
- O Natal, ele vale mais que seu rim?
- Porra, como assim?? O que tem a ver uma coisa com a outra??
- Você trocaria seu rim por uma noite de natal??
- Nossa que tipo de pergunta é essa cara!? Não, eu não trocaria!
- Então seu rim vale mais que o Natal?
- Mas que caralho, se for assim vale então, não sei, que merda!
A última coisa que eu vi foi a senhora senhorita tirar algo de dentro do saco de cds, e depois apenas luz. Uma grande luz. Enorme. Luz.

E então eu acordei hoje, com uma puta dor estranha na barriga, meio zonzo, meio sei lá. Com um puta frio também, dormi com a janela aberta, e ainda tinha um pouco de sangue perto de mim, acho que o idiota aqui bebeu tanto ontem que deve ter se cortado e nem percebeu. Mas fiquei feliz quando acordei na minha cama e não tinha mais senhora-anjo nenhuma na minha janela, ou seja, era tudo um sonho né!! haha aiai. Um sonho bem estranho por sinal.
Mais estranho ainda foi que na cabeceira da minha cama havia um cd da Simone, que nossa, eu não via ele aqui em casa faz milhões de anos, e ele ta até com cara de novo. Minha mãe deve ter achado e o colocado aqui, o que não faz sentido mas ok.

Mas enfim, Feliz Natal.




segunda-feira, dezembro 17, 2012

O Mundo na Minha Cabeça

Eu tenho um pequeno distúrbio mental e não sei se é só comigo que isso acontece. Às vezes eu penso que vou ficar louco. Não sei na verdade se isso é uma vontade, um receio, ou quem sabe uma falta do que fazer com meu cérebro, só sei que em vários momentos eu me sinto como se fosse um Bruce Banner, só que ao invés de tentar me controlar pra não virar o Hulk, eu tento me controlar pra que eu não fique louco. Mas louco mesmo, sabe? Louco maluco, daqueles que você manda pro hospício e até os pacientes de lá passam a evitar pra não serem contagiados.
O que acontece é que minha mente costuma ser meio perdida, pensa em várias coisas ao mesmo tempo, sendo que 98% destas são coisas bizarras, sem sentido e/ou imaginação além do necessário, enquanto os últimos 2% são dedicados ao que realmente está acontecendo de importante no momento.


Eu tenho uma séria dificuldade para ter conversas sérias, pois sempre que elas aparecem meu cérebro avacalha tudo dentro da minha cabeça. Simplesmente não consigo manter a seriedade por muito tempo quando todos estão sérios. Se o pessoal que estiver falando comigo estiver normal, ou até feliz e saltitante, eu consigo manter a seriedade na minha cabeça, mas se esse mesmo pessoal estiver sério e tendo uma conversa séria, minha cabeça não consegue manter a seriedade. Está confuso? Sim, mas eu avisei lá no começo que minha mente é meio perdida, pensei que já estivesse preparado. De qualquer forma, vou dar alguns exemplos:

Situação: Conversa com a gerente do banco.
Cenário real: A gerente fala sobre a troca do pacote de serviços que terei que fazer, mostra as opções diferentes de serviços pra contratar e sobre o funcionamento para mudança de agência bancária.
Cenário na minha cabeça: Eu me levanto e corro em círculos pela sala da agência, enquanto isso bato com as mãos em todos os papeis das mesas e tudo lá dentro vira um redemoinho de folhas A4 cheias de números, vírgulas e cifras. Até que eu paro de correr e pego um guarda chuva que tava perto de mim, e uso a gerente de poste enquanto canto Singin' in the Rain. Após terminar a música eu dou um mergulho na parede de vidro e saio da sala(e do banco) em grande estilo.

Situação: Reunião de trabalho.
Cenário real: Meu chefe falando sobre os diversos projetos do ano, quais as expectativas, as dificuldades, o que devemos fazer e qual a melhor forma de atingirmos nossos objetivos. Ele fala e todos ouvem atentamente com cara de sérios e dispostos a dar o melhor de si pela empresa (inclusive eu, exceto a parte do "ouvir atentamente").
Cenário na minha cabeça: No momento em que meu chefe abre a boca pra falar eu me levanto bruscamente jogando a cadeira pra trás, subo na mesa, faço um sapateado e enquanto todos olham perplexos pra mim eu escolho o mais feio do momento e dou um chute no meio da cara. Logo em seguida eu tiro a roupa de uma vez só, daquele jeito que você puxa e já sai tudo numa só rasgada. E então, pelado, eu pulo em cima da cabeça de um colega de trabalho e me equilibro com apenas um pé, e assim vou pulando de cabeça a cabeça, até completar todas da mesa, e depois volto pra cima da mesa, em frente ao chefe. Lá eu me ajoelho, começo a urinar na cara dele e logo em seguida grito "QUE TAL ENTÃO ESSE PROJETO DE GOLDEN SHOWEEER AAAAHAHAHAHAHA". Após isso visto minhas roupas novamente, volto pro meu lugar, e a reunião é finalizada.

Situação: Me declarar pra mulher que amo.
Cenário real: Estamos sentados num banco de uma praça, estou me preparando pra falar com ela, com os lábios tremendo e as mãos suando, assim como as axilas, que formam duas belas pizzas molhadas em cada um dos lados da minha camiseta do Pink Floyd.
Cenário na minha cabeça: Eu inicio minha fala dizendo "ér.. é.. então, o que eu queria dizer é-" logo a garota grita "SIM EU SEI EU TAMBÉM TE AMO PUTA QUE PARIU VEM CÁ ME BEIJA ME LEVA PRA CAMA VAMOS EMBORA PRAS ANTILHAS HOLANDESAS OU QUEM SABE PRA NOVA ZELÂNDIA OU QUEM SABE PRO INFERNO TANTO FAZ SEU LINDO SEU MARAVILHOSO EU QUERO É VOCÊ". Em seguida nós dois tiramos as roupas (adoro ficar pelado), nos abraçamos, nos beijamos loucamente, damos as mãos e saímos correndo pela rua, ao mesmo tempo em que damos voltas no eixo das nossas próprias mãos entrelaçadas, como hélices humanas apaixonadas à caminho da felicidade eterna [enquanto isso toca nos alto-falantes da cidade a música Good Old Fashioned Lover Boy]. E assim vamos correndo, a luz do Sol vai ficando cada vez mais e mais intensa, até que tudo se transforma finalmente em luz.

Situação: Qualquer uma.
Cenário real: Qualquer coisa acontecendo com qualquer pessoa.
Cenário na minha cabeça: Eu fico imaginando a pessoa dentro deste clipe do Radiohead, dançando igual ao Thom Yorke, com umas caras engraçadas e tudo mais. Confesso que fica bem engraçado me divirto muito, e serve pra qualquer situação, é só pegar o corpo da pessoa e trocar com o Thom.




ps.: eu sei que você também faz essas coisas na sua cabeça ok.

domingo, setembro 16, 2012

Aquele Fio de Cabelo Grisalho

Eu nunca tinha me importado com as histórias das pessoas e seus cabelos grisalhos. Tem aquelas que pintam, aquelas que fazem questão que eles fiquem como estão, as que preferem ficar careca, entre outras opções, mas o fato é que nunca me importei com essas pessoas e suas respectivas cabeleiras. Pra mim era tudo uma questão de visual, de estilo, ter ou não ter cabelos grisalhos era apenas uma escolha de cada um. Até que eu percebi que não é tão simples assim.

É diferente quando é você quem se olha no espelho pra pentear o cabelo e de repente vê ali, um pouco escondido mas ainda assim se destacando dos demais, um pequeno e curvado fio de cabelo branco. Aquilo pra mim ia muito além de qualquer coisa relacionada à estética ou meu visual, aquilo pra mim foi na verdade algo como um choque de realidade. É como um daqueles momentos do seu dia que você olha pro relógio e vê que já é bem mais tarde do que você imaginava e você nem havia percebido, só que nesse caso, ao invés do relógio era um fio de cabelo branco, e ao invés do dia, minha própria vida. 

Aquele fio de cabelo me fez perceber que muita coisa já tinha passado, e muitas coisas não voltariam nunca mais. Me fez lembrar dos momentos bons que eu já passei ao lado das pessoas que eu amava, dos momentos ruins também, que alguns eu agradeço por terem existido, já outros não faço tanta questão. Lembrei de momentos desnecessários e até de momentos que desejava nunca mais me lembrar. Lembrei dos sonhos que tive durante a vida, e refleti sobre quais deles eu já conquistei, estou pra conquistar e aqueles que agora sei que já não tenho mais tempo. Lembrei dos arrependimentos, das coisas que queria ter feito de um jeito diferente, e que agora mais do que nunca sei que nunca mais poderei corrigir. Pessoas que se foram, pessoas que surgiram, pessoas ganhas e pessoas perdidas, todas elas deixando suas marcas, algumas boas lembranças e algumas feridas. 

Um simples novo(ou velho) fio de cabelo trouxe tudo isso à tona, me mostrou que eu já sou quem eu sou, e que não tenho mais tempo pra me reinventar. Tudo que eu fiz já estava feito e foi o que me trouxe aqui, sendo quem eu sou, fazendo o que estou fazendo, morando onde estou morando. Certamente não estou plenamente satisfeito, sempre dá pra ser melhor, se bem que se "sempre dá pra ser melhor", eu nunca vou chegar lá, então diria até que estou satisfeito. Mas por mais satisfeito que eu esteja, sempre vou me lamentar por algo ser do jeito que é, por alguma coisa que fiz ou deixei de fazer. E essa parte é a mais difícil. A dúvida então era se eu deveria me contentar e aceitar todo aquele tempo de cabelos escuros, ou se eu devia tentar consertar, pintar, esconder, e fingir que ainda tenho muito pela frente. Fingir que ainda dá pra fazer o que eu quero, mudar o que deu errado, reconquistar o que eu perdi. 

E ali estava eu, me encarando de frente ao espelho, vendo quem eu sou, quem eu fui e decidindo quem eu estava pra ser, momento este proporcionado pelo imprevisível fio de cabelo branco. Foi quando eu decidi que ia arrancá-lo, quem sabe ele era só uma pequena falha genética, e que só existiria ele por pelo menos mais uns 10 anos? Quem sabe sem ele eu poderia continuar normalmente acreditando que o fim ainda estava muito e muito distante. Resolvi tocá-lo, e quando simulei que ia arrancar o dito cujo, ele simplesmente já não estava mais na minha cabeça. Na verdade era só um fio qualquer de algum material sintético. Joguei no lixo, terminei de pentear o cabelo, escovei os dentes, e fui pro cinema assistir Paranorman 3D, afinal tenho só 19 anos de idade ainda né glr pfvr..