A Cabra, a Sogra e o Dexter.

Tédio, morte e zoofilia juntos num mesmo sítio.

O Formigueiro Invisível.

“Pare”, “Siga”, “Ande aqui”, “Dirija ali”.

O Mundo de Verônica

Uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy.

Quando você morrer

O que você quer ser quando morrer?

Psicotuitoanalise #1 - Fanatismo

O novo método twitteriano de psicanálise avançada freudiana cerebelística anonencefálica.

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segunda-feira, janeiro 06, 2014

Ao Infinito... e Amém.

Fazia bastante frio, mas Caio suava. Todos os dias quando ia pro colégio era a mesma coisa. Não importava o frio que fizesse, após uns quinze minutos pedalando ele já começava a sentir calor. Ele não conseguia pedalar vagarosamente, observando as paisagens, ou seja lá o que tivesse pra ver. Ele tinha que pedalar rápido. Não como um desesperado, mas rápido.
Naquele dia ele estava ouvindo rádio AM, pois seu mp3 só tinha 128mb e cabia cerca de 30 músicas, das quais ele já estava enjoado e mais uma vez tinha esquecido de trocá-las. Optou então pela rádio, pois preferia ouvir as notícias do dia do que as músicas que tocavam nas estações FM. Ouvia nem 10% do que falavam no rádio pois na maior parte do tempo sua cabeça voava. Sobre todas as coisas e em todas as direções. Ele só se lembrava de que estava ouvindo a rádio quando tocava um jingle do qual ele não gostava muito, que dizia "vambora, vambora, olha a hora, vambora!". Ele sentia um certo tipo de nervoso quando ouvia aquilo, mas não sabia explicar exatamente qual. Era diferente. É normal passar a desgostar de músicas ouvidas de manhã por associá-las com o fato de ter que sair da cama, mas aquela o irritava de um outro modo, ele só não sabia ainda qual. Talvez tivesse a ver com o fato daquela música ser associada ao pai, de quando ele se arrumava de manhã antes de ir trabalhar e ouvia a rádio no banheiro, mas agora fazia parte de sua vida também. Ele ainda não era um adulto, estava longe disso, mas estava agora ouvindo-a quase todas as manhãs.

Quando a rádio fazia um intervalo desse jingle e só ficava dando notícias, Caio aproveitava pra pensar. Ele gostava bastante de pensar sobre tudo, ainda mais sobre as coisas "difíceis de se pensar". Ao parar num semáforo, ele sentiu um pingo caindo logo abaixo do seu olho direito, na maçã do rosto. Sempre que isso acontecia ele ficava na dúvida se era gota de chuva ou xixi de passarinho, pois esta segunda ainda nunca havia lhe acontecido e ele sabia que sua hora ia chegar. Quando olhou pro alto viu um emaranhado de fios do poste, e lá mais no alto ainda, o céu. Ele queria poder voltar a cena em câmera lenta e ver o pingo subindo, voltando de onde veio, pra ele descobrir de fato sua origem. Seria um orvalho do fio, ou estava começando a chover? Enquanto imaginava a gota voltando no tempo e subindo, notou que alguém do seu lado atravessou a rua, e percebeu que o sinal já tinha aberto. Deixou então de olhar pro alto e seguiu de volta seu caminho. Resolveu que naquele dia pensaria sobre a imensidão do céu, algo que ele via todos os dias, que parecia tão perto, mas na verdade é tão longe. Que fazia parte da sua vida mas ao mesmo tempo estava tão distante. Que parecia o acolher mas ao mesmo tempo o desprezar. Podia ser bonito, mas também assustador. Tinha várias faces, e além de tudo era infinito.

Era uma loucura pra ele entender o fato de algo ser infinito. Era uma das coisas que davam "bug no cérebro". Tentar visualizar o conceito de infinito em sua mente não era possível. Da mesma forma que não dava pra imaginar de onde veio o Universo. Pra ele, o cérebro não é capaz sequer de conseguir imaginar a inexistência das coisas em si. Não se consegue imaginar o vazio.
Como imaginar se a vida não existisse? Não dá! De onde veio a vida? De Deus? Mas e Deus, de onde veio? De outro Deus? E este outro veio de outro, que veio de outro? Essa geração de Deuses também é infinita? Será que Deus é justamente isso, tudo que é infinito? A cabeça dele dava um nó. E ele até que gostava.
Pra ele as questões de Universo e Deus eram impossíveis de se refletir. Talvez seja por isso que essas coisas iniciem com letras maiúsculas, pois são coisas impossíveis de se pensar e chegar a uma conclusão de como funcionam. Assim como as pessoas. 
De onde viemos e pra onde vamos? Essa era uma questão que ele já havia desistido faz um tempo. Por ele, "vida" deveria iniciar com maiúscula também, assim como "morte". Será que quando morrermos entenderemos afinal o que é o infinito? Ou quem sabe faremos parte dele? Ou será que já somos, e até viemos dele? Ou será que aquele papo de paraíso e inferno existe mesmo? Maldito infinito. Maldito Deus. 

Ao passar por uma praça ele viu uma mulher andando acompanhada de uma criança, carregando papéis e o que se parecia com uma bíblia. Deviam ser testemunhas de jeová ou algo assim. Ele achava aquele tipo de pessoa realmente irritantes. Pra ele, parece que elas querem te obrigar a entrar na religião delas. Que desejam empurrar o Deus dela pra dentro de sua casa pra que seja o seu também. Por quê? Por que insistem em jogar o maldito Deus delas na cara dos outros? Vem com aquele papo de compartilhar a "palavra de deus", mas pra quê? Valeria muito mais a pena se ao invés de distribuírem palavras distribuíssem ações. 
Para Caio, as pessoas acreditariam mais em Deus ao ver coisas belas e positivas, ao invés de baterem com a bíblia na porta de suas casas tentando fazer com que engulam o que lá esteja escrito. Ele via muita discórdia e briga por causa de religião, e isso não fazia o menor sentido. Pra ele, religião era coisa do homem, e não de Deus. E o homem, como todos sabemos, é capaz de fazer tanto bem quanto mal. Se todos afirmavam que "Deus é amor", pra que todo esse ódio envolvido então? Foi então que ele chegou a uma conclusão sobre Deus. Não sobre o Deus de todos, mas o seu próprio. Pra ele, deus se encontrava nas coisas que transmitiam o "bem". Deus estava nas atitudes, e não lá no alto nos observando e anotando quantas bolinhas do terço rezamos. Agora então, deus não precisava mais de letra maiúscula.

Enquanto pedalava, Caio buscava então a presença desse seu deus, e ele o via por todos os lados. Devia ser verdade então aquilo de que ele é onipresente. Deus estava no sorriso dos pais que saíam do hospital carregando seu filho recém-nascido. Deus estava no beijo no rosto que a criança deu em sua mãe antes de entrar na escola. Estava na satisfação de um garoto ficando com uma menina, atrás do muro, do outro lado do colégio. Estava nas mãos dadas de um casal de velhinhos,os dois já enrugados, porém ainda juntos e aproveitando a companhia um do outro. No alívio daquele cachorro ao encontrar finalmente um lugar pra fazer cocô. No prazer daquela mulher ao correr e suar enquanto ouvia suas músicas. Deus estava por todos os lados.
Ele sentia deus ao se lembrar que naquele dia tinha novo episódio de Lost, e que à noite, quando chegasse em casa, poderia assisti-lo comendo fandangos. Sentia deus ao achar uma nota de dois reais no seu bolso, sabe-se lá desde quando ela estava ali. Sentia deus quando seu pai lhe dava um mp3 de 128mb de aniversário, enquanto todos tinham de 1gb, mas sabia que o pai nem sabia dessas coisas e comprou o que pôde, e o que o filho desejava. Sentia quando sua mãe demonstrava orgulho de quem ele era. Quando marcava um gol. Quando seu time marcava um gol. Quando fazia um gol contra, mas que tinha sido muito engraçado. Na masturbação discreta durante o banho. Ao roubar comida da geladeira na madrugada. Sentia deus quando se sentia livre, e que teria todo o futuro pela frente, podendo conquistar tudo que desejasse. Ele sentia deus na satisfação de ter concluído enfim o que seria, pra ele, deus.

E sentindo deus ele continuou a pedalar, perdido nos seus mais novos pensamentos. Até que veio um "vambora, vambora, olha a hora, vambora!" e cortou sua linha de raciocínio. Deus não está nesse jingle de jeito nenhum. Resolveu desligar o mp3 pra poupar bateria. Olhou pro lado esquerdo antes de atravessar a avenida e com uma das mãos tirou o aparelho do bolso. Deu três pedaladas rápidas e então ouviu um som tão desagradável quanto o jingle. Quando olhou pra sua direita viu um ônibus, que parecia estar maior do que o normal, talvez por já estar tão perto, e tão rápido. O som vinha da buzina estridente, que de nada adiantava, já não tinha mais o que fazer. Naquele momento, Caio não chegou a ver um filme de sua vida, mas se sua vida fosse um filme, aquilo teria sido apenas um frame. Foi muito rápido. Viu um flash do ônibus, e logo já não via mais. Sentiu como se estivesse voando, mas ao mesmo tempo paralisado. Não conseguia organizar seus pensamentos, só o que conseguia era ver e sentir. Ele via o céu, e sentia o nada. Foi a primeira vez que teve essa ausência de sentimentos. Nem paz nem agonia. Nem dor nem felicidade. E então, no último resquício de qualquer coisa, percebeu que sentia-se, assim como o céu que o encarava lá do alto... infinito. Sentiu também uma gota se esparramar na maçã direita do rosto, mas não tinha como saber se era a chuva que caíra de vez, se era lágrima, ou finalmente xixi de passarinho. Sentia que agora ele teria a resposta pras coisas maiúsculas, e que talvez elas nem fossem tão importantes assim. Sentiu que ainda não era hora de descobrí-las. Sentiu seu deus. "Vambora, vambora, olha a hora!". E então acabou. Olhou uma última vez pro céu. Agora eram todos apenas um: Ele, deus, e o infinito.

quinta-feira, setembro 26, 2013

Metamorfose Ambulanta

E então eis que surgiu de repente
Até pensou que era forte e belo
Se olhou e viu algo diferente
Sentiu-se o Rei daquele castelo

Lá no céu uma estrela cadente
Mas na terra um velho chinelo
Se no mar um tubarão martelo
Fora dele uma magra serpente

Era verde mas ficou vermelho
Tão sanguinário quanto o Taranta
Era gentleman virou pentelho

Tão escroto que a todos encanta
Mais bizarro que Paulo Coelho
Uma metamorfose ambulanta

quarta-feira, agosto 21, 2013

O Mundo de Verônica

Lágrimas. Era o que Verônica sentia escorrendo pelo seu rosto enquanto lamentava sua vida, deitada na cama. Cada lágrima que escorria era uma mágoa, uma angústia, um sentimento de que não dava mais. Acabara de completar 22 anos mas já achava que era a hora de partir. Não havia motivação, não havia mais o que fazer. Sentia como se tudo que fazia desse errado, nunca conseguia cumprir seus objetivos, e os poucos que restavam pareciam estar muito distantes. Não dava mais. Mais lágrimas.
Sentia-se sozinha, deslocada, como se não fizesse parte daquele lugar. Verônica se via como algo totalmente inútil e desnecessário, longe de ser o centro das atenções, não fazia diferença nenhuma. Se via como uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy. Ninguém dava a mínima pra ela ou sentiria sua falta caso ela não existisse, ela só estava ali por estar, porque a colocaram ali.
Quando fez essa relação de ser um mero texto dentro de uma revista Playboy, Verônica soltou um leve sorriso debochado e decepcionado. Isso resumia como ela se via, como meros blocos de letras e textos com seus significados, conteúdos e ideais, desejando ser absorvida, admirada, ou pelo menos apenas vista por alguém, mas sem sucesso. Tudo aquilo que estava ao redor, nas outras páginas, acabava atraindo bem mais a atenção de todos.

Tinha 22 anos e ainda era virgem, tendo beijado apenas dois rapazes. Não que ela se importasse tanto com isso, era daquelas que não ligava muito com o que pensavam e o que a sociedade estabelecia, ou pelo menos era o que afirmava. Mas se importava, e muito, em ainda não ter chegado nem perto de viver um grande amor. O mais perto de um relacionamento que chegou foi ter sido acompanhada por Eduardo de ônibus até sua casa após terem se beijado, sendo que após o fechar das portas ela nunca mais conseguiu vê-lo novamente. Se deprimiu de início, cansou os olhos de tanto chorar e acabou guardando rancor, após um tempo fingiu não mais se importar, e por fim fingiu que superou. Mas a mágoa continuava lá. Adorava assistir a comédias românticas, assistiu pelo menos umas 50 vezes "Como Se Fosse a Primeira Vez". Se divertia e aproveitava enquanto assistia, mas no final sempre acabava se sentindo mal, desolada, mais ou menos da forma que se sentia após se masturbar pensando no Michael Fassbender. De qualquer forma isso não fazia mais importância, afinal decidiu que tudo tinha chegado ao fim, que não dava mais, aquela era a hora. Verônica decidiu morrer, e foi aí que tudo mudou.

Ao olhar seu reflexo no vidro do medicamento, que segurava com sua mão trêmula, Verônica teve um insight, e acabou até quase esquecendo qual foi pois ficou pensando por que ainda usam a palavra "insight" ao invés de darem uma tradução pra ela. Verônica parou, seu coração deu uma acelerada, ela refletia, discutia e debatia hipóteses dentro da sua cabeça, duvidava da conclusão que havia acabado de chegar, mas por mais que tentasse ser racional não conseguia derrubar a verdade que acabara de desvendar. Continuava olhando o seu próprio reflexo distorcido, até que soltou o vidro, deixando-o cair no piso, e afirmou a si mesma, estupefata, em voz alta: "Eu sou uma personagem!".

E assim, de repente, Verônica passou a ter certeza de que tudo aquilo era uma mentira, que ELA era uma mentira. Ela estava na verdade dentro de uma história, era uma simples e inútil personagem. Percebeu que sua personalidade não passava de uma personalidade padrão, com a qual todas as mulheres se identificam. Se sentia frágil, desajeitada, com baixa autoestima, e frequentemente autodepreciativa. Se colocava pra baixo muitas vezes, mesmo em seus pensamentos. Insegura como era, sempre que se apaixonava ficava desconcertada perto de seu grande amor, e o tinha como um ser extraordinário e maravilhoso, praticamente perfeito. Estava sempre à espera de um romance para fazer de sua vida algo excepcional, em vez de tentar procurar sua felicidade com as próprias mãos. Era óbvio que era uma personagem, e o pior, escrita por alguém que utilizava destes estereótipos femininos pra conquistar mais leitoras.
Resolveu tomar uma providência pra deixar de ser quem era, e quando finalmente descobriu a verdade, sentiu que poderia se livrar de tudo e finalmente ser quem realmente quisesse. Olhou para o alto, onde teoricamente seu Autor se encontraria, e gritou: "Eu descobri toda a verdade! Descobri que sou apenas uma personagem qualquer, com uma personalidade padrão, vivendo às Suas custas! Mas com uma coisa Você não contava! Não contava que eu iria me descobrir sozinha. Agora me livrarei de Você, agora posso ser o que eu quiser! Como eu quiser! Irei me transformar, sair desse estereótipo imbecil, e não há nada que Você possa fazer pra me impedir!".

Verônica então saiu correndo do banheiro, decidida a desaparecer, decidida em se transformar. Fugiu de casa, largou tudo o que tinha, pois sabia que tudo aquilo era uma mentira. Mudou de cidade, de emprego, de faculdade. Ela queria ser diferente, queria romper com tudo e com todos, fugir daquele estereótipo que lhe era imposto.
Foi morar em São Carlos e lá iniciou sua faculdade de Letras. Decidiu que se tornaria escritora e criaria diversas histórias e mundos futuramente, onde suas personagens seriam fortes e originais, donas de seus próprios destinos e que vão atrás de seus sonhos sem depender de mais ninguém.

Anos se passaram e Verônica já era uma mulher completamente diferente. Agora com 28 anos, trabalhava na área editorial e no tempo livre saía com seus amigos e escrevia.
Aos 30 anos se casou com Marcelo, um rapaz que conheceu na editora em que trabalhava. Não foi como um conto de fadas. Não houve sofrimento, proibição, nem sequer dificuldades. Eles apenas se conheceram, saíram, e simplesmente sentiram que davam certo um com o outro. Ela não o via como um príncipe, nem como perfeito, mas via nele uma pessoa que a completava, e sentia que o completava de volta. Ela o abraçava por inteiro, com todas suas qualidades e defeitos, e cada vez mais o amava, desejando ser ele a pessoa com quem passaria o resto de sua vida.

Já aos 40, com mais de dez livros lançados e centenas de milhares de cópias vendidas, Verônica já começava a planejar abandonar qualquer outro tipo de trabalho e viver apenas através dos seus livros. Seu objetivo era que daqui não muito tempo pudesse passar a viver apenas viajando e escrevendo suas obras. Sua série intitulada "Coração Cheio de Algodão", que continha como protagonista Sarah, uma moça que se se sentia dividia entre liderar um grupo feminista e largar tudo pelo amor da sua vida, já era uma das mais vendidas na época, e ainda tinha muito pra render. Mas os planos tiveram que ser abandonados abruptamente. Marcelo descobriu que tinha câncer de próstata, e, com dois anos e meio de tratamento, veio a falecer.

Verônica então afundou-se em si. Ainda tinha, teoricamente, grande parte da vida pela frente, mas não tinha com quem quisesse vivê-la. Todos os planos tiveram de ser abandonados e esquecidos, como se nada tivesse sido pensado. Passou a apresentar indícios de depressão leve e por isso voltou a tomar seus medicamentos. Numa noite, em seu banheiro, Verônica abriu seu armário, pegou seu vidro de remédios, abriu, e congelou. Déjà vu. Se lembrou de anos atrás, quando se sentia arrasada da mesma forma, segurando um outro vidro de remédios. E o ódio surgiu. Verônica, abismada, sentiu que havia entendido tudo, mais do que daquela outra vez. Ela ainda não era livre, Ele ainda estava ali. Ainda era uma personagem. Tinha certeza disso, foi tudo pensado por Ele. Cada problema, cada obstáculo, cada conquista e cada tragédia. Só isso podia explicar os vários episódios que passara na vida. Ela nunca seria livre. Ficou transtornada. Decidiu que era a hora de acabar com tudo, e se vingar.

Sua vida não fazia mais sentido, só o que queria era se vingar dessa injustiça. Foi até seu quarto, sentou-se na cama, pegou seu notebook, e gritou, olhando pro alto: "Pois se é a mim que Você quer, a mim Você terá! Eu desisto de tudo. Desisto de ser livre, de tentar ser dona da minha própria vida. Já que foi Você quem me criou, e é Você quem vai continuar traçando o rumo da minha vida pra sempre, que seja do meu jeito! Ficaremos juntos, sim, até o infinito. Juntos num ciclo sem fim. Seremos ambos personagem e autor. Criador e criatura. Escravos um do outro. Agora serei Você!"

Verônica então assumiu um pseudônimo e criou uma nova personalidade, na verdade não uma nova, mas a Dele. Fechou os olhos e, num segundo de inspiração, assumiu que seu novo nome seria Januzza. Se ajeitou na cama, criou um blog e deu a ele o nome de "Januzzismo", que foi o mais ridículo que conseguiu pensar aleatoriamente. Clicou em nova postagem, e então começou a escrever a Sua nova e própria história:

Lágrimas. Era o que Verônica sentia escorrendo pelo seu rosto enquanto lamentava sua vida, deitada na cama. Cada lágrima que escorria pelo seu rosto era uma mágoa, uma angústia, um sentimento de que não dava mais. Acabara de completar 22 anos mas já achava que era a hora de partir...

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Toalha, o Dinheiro e a Casinha.

[Este texto é a continuação DESTE TEXTO AQUI. Então já sabe né.]



Eu teria que agir o mais rápido que eu pudesse e fazer a primeira coisa que viesse em mente, pois caso contrário perderia tempo e minha namorada poderia encontrar sua mãe estirada no chão, sangrando, e eu ainda com as calças no tornozelo. A primeira coisa que fiz foi pegar a toalha que minha sogra foi buscar e cobri-la, pois assim não seria identificada ao longe. Logo em seguida, ainda sem saber o que fazer exatamente, comecei a levantar minhas calças e me preparei pra sair em disparada em direção à casa, pra tentar impedir que alguém chegasse até o local. Logo que minhas calças alcançaram a cintura dei uma última olhada pra trás, enquanto dava o impulso pra começar a correr, e foi quando a vi, a cabra ainda estava ali, parada, com o traseiro apontado pra mim e sua cabeça também em minha direção. Ela disparou um olhar como quem estava dizendo telepaticamente "você fez uma puta duma merda seu safado, uma grande merda mesmo, gigantesca, cê tá fudido, não vai se safar dessa não, rsrsrshahauha". Me desconcertei com aquele olhar e acabei tropeçando no meu próprio pé e caindo em cima da minha sogra, sobre a toalha. Me levantei assustado com a queda, com a cabra, com tudo, e finalmente saí correndo, mas dessa vez sem a loucura de olhar pra trás. Se Usain Bolt estivesse correndo ao meu lado naquele momento, ele perderia.
Atravessei o quintal, a cozinha, e cheguei aos trancos e barrancos na sala de estar, com uma cara de filho da puta, suado, arranhado, com a braguilha aberta, na mesma hora que minha namorada abriu a porta. Ambos nos assustamos com o encontro, mas foi ela quem perguntou primeiro:
- Nossa que isso!? Por quê você ta desse jeito?
(Pensa pensa pensa caralho pensa)
- Ah! Eu tava correndo atrás da galinha que fugiu, tentando pegá-la. rsrs
- Como assim fugiu? Elas já ficam tipo... soltas.
(pausa dramática - pensa pensa pensa)
- Não, é que tipo, uma saiu do lugar onde elas ficam, costumam ficar, foi correndo sozinha pra outra direção, aí eu fui lá pra tentar mandar ela de volta, só que acabei caindo e tal haha.
- Ahn... rs
- Eu gosto de correr também.
- Não sabia.
- É, tava afim de correr, fazer alguma coisa, haha
- Entendi. Na verdade eu voltei porque esqueci o dinheiro em cima da mesa - por que TODO MUNDO tava esquecendo alguma coisa naquele dia só pra me ferrar? - vou ali pegar logo, o caseiro tá esperando. 
- NÃO PREcisa! - consegui perceber na primeira sílaba da segunda palavra que eu estava um pouquinho alterado e que talvez ela percebesse, então amenizei o tom da voz, o que talvez tenha deixado a frase ainda pior, mas foi o que deu pra fazer - Eu busco pra você.. meu... amor.
- Nossa, "meu amor"? Que bicho te mordeu? - talvez eu não fosse tão romântico na maioria do tempo.
- Uma galinha!! hahaha - ri como se aquela fosse uma das melhores sacadas humorísticas da década, ao mesmo tempo em que mantinha uma cara de leve desespero e meu olho se carregava com uma pequena quantidade de lágrimas, obviamente não pelo humor, mas pela angústia dentro de mim. Me virei logo e fui buscar a porra do dinheiro.

A janela da cozinha dava de frente pro local onde havia uma cabra dissimulada e uma toalha toda ondulada, como se houvesse alguém se escondendo embaixo dela, então era melhor que eu mesmo fosse pegar o dinheiro pra não correr o risco dela ver aquilo lá fora. Entreguei os trinta reais, e ela logo então voltou para o carro e juntamente com o caseiro partiu de vez pra comprar sei lá quais merdas pro maldito café da tarde.
Eu estava transtornado, sentia que a qualquer momento poderia desmaiar, mas tentei ser o mais forte possível pois caso isso acontecesse a merda seria maior. Dei uma rápida e profunda respirada e logo depois reativei meu modo Usain Bolt, correndo sem nem saber pra onde, nem o que fazer, mas correndo, o negócio era esse. Corri por alguns segundos até que cheguei no quintal e o que eu vi foi arrasador, ou melhor, o que eu NÃO vi. MINHA SOGRA NÃO ESTAVA MAIS LÁ! NEM ELA, NEM A TOALHA, A CABRA, O VAral... ué, o varal? Foi quando eu percebi que na verdade eu tinha corrido pro outro lado da casa, e lá não deveria ter nada mesmo. Teria sido engraçado aquele momento de grande desespero pensando que minha sogra havia reacordado e sumido dali, mas não foi pois eu estava realmente desesperado. 

Parti em direção ao local do crime, e confesso que senti certo alívio quando avistei aquelas ondulações cobertas por uma toalha no chão. Mas a cabra já não estava mais lá. 
Chegando ao lado da minha sogra, que ainda se encontrava inconsciente, comecei a refletir enquanto recuperava o fôlego. O que Dexter faria num caso desses? - eu pensava. Ele era o rei de fazer merda, matar pessoas, e nunca ser pego. Não é possível que eu, na minha primeira grande merda, já me foderia.  
Foi quando eu virei a cabeça pro meu lado esquerdo e a avistei, ela, a maldita cabra. Ela estava parada, ao lado de uma casinha (dessas que abrigam todas as coisas inúteis do sítio e que ninguém tem coragem ou saco pra jogá-las fora), olhando pra mim. Me olhou fixamente por cerca de 5 segundos, dando umas 3 mastigadas neste intervalo de tempo, e depois olhou pra entrada da tal casinha, onde ficou olhando por uns 2 segundos, antes de voltar a olhar pra mim. A mensagem foi clara, e eu a captei.  
Eu tentei várias formas, mas a melhor e mais fácil que encontrei de carregar minha sogra semi-obesa até a casinha foi puxando-a pela perna, talvez houvesse um modo mais prático, mas eu não descobri no momento. Eu não tinha tempo pra pensar se ela estava se machucando muito no percurso pois eu estava ocupando minha mente com questões mais importantes como por exemplo "ok, vou levá-la até a casinha, mas e depois o que é que vou fazer com a desgraçada?". 

Chegando lá dentro, fechei a porta de madeira, e me agachei ao lado da desmaiada. Pensei no máximo de possibilidades possíveis do que fazer. Se eu a deixasse viva, estaria fudido. Se ela não ficasse viva, não seria tão diferente assim, pois eu com certeza seria o principal suspeito por ter ficado sozinho com ela no sítio durante este período. Mas e se ela simplesmente desaparecesse? Sem mais nem menos? Assim como as vítimas do Dexter. A diferença é que ela não era uma criminosa qualquer, uma assassina, e teria pessoas que sentiriam sua falta. Mas nenhuma das possibilidades, por mais absurdas que fossem, era pior do que deixá-la viva. Sobre isso eu estava decidido. A única dúvida que restava era o que fazer com o corpo depois. Enquanto eu não chegava a uma conclusão, vi uma lona, como aquelas que ficam em carrocerias de caminhões, num grande rolo, embaixo de uma bancada. Foi quando eu repentinamente decidi de vez o que faria. Eu agora já tinha uma lona pra revestir o interior (ou grande parte) da casinha, e uma bancada pra colocar minha sogra em cima. E então, sabendo o que fazer, dei início ao meu primeiro ritual. 


Continua...

segunda-feira, agosto 27, 2012

A Cabra, a Sogra e o Dexter.



Tinha chegado o fim de semana e eu tava super animado, a ideia era ficar o dia todo embaixo do cobertor e finalmente terminar a quarta temporada de Dexter. Aliás, vale dizer eu tô bastante viciado em Dexter, às vezes me sinto até como se fosse ele, uma vontadezinha aqui e ali de enfiar a faca no peito de alguém, mas nunca passa da imaginação né. Sonhos relacionados ao assunto já são normais. Enfim, minha ideia de zerar Dexter no fim de semana logo foi por água abaixo, pois minha namorada deu a bela notícia de que passaríamos sábado e domingo no sítio dos meus sogros, que fica em Caçapava. Meu sogro havia viajado a trabalho pro Mato Grosso do Sul, e minha sogra ficaria sozinha com o caseiro no sitio, caso não fôssemos. Pra agradar a todos (menos a mim), fui pro maldito lugar. Quem sabe passar aquele fim de semana lá faria com que minha sogra passasse a demonstrar mais carinho por mim. (Já adianto que não deu muito certo)

O sítio até que é legal, tem bastante "verde" e vários animais por lá. Chegamos um pouco antes do almoço, comemos um belo frango assado, ou dois(minha sogra tava meio obesinha, comeu um quase sozinha), e fui descansar na rede depois. Eu estava lá deitado na varanda, relaxando, olhando pros cachorros que ficavam indo pra lá e pra cá, os cavalos lá longe, as vacas, até que eu vi que tinham cabras também. Interessante, cabras - pensei. Foi quando veio uma velha lembrança. Lembrei de uma noite em que eu estava na casa da minha avó, anos e anos atrás, assistindo ao Praça é Nossa (sim isso mesmo), na época em que ainda tinham o deputado Tiririca como um de seus integrantes. Lembro que ele falou algo de que na terra dele era normal iniciarem a vida sexual com cabras, talvez não com essas palavras, mas foi o que ele quis dizer. Isso foi um pouquinho chocante pra mim na época, e me fez lembrar diretamente de uma outra coisa, só que da época ATUAL: minha vida sexual. Quatro meses de namoro já e... nada. Não que eu seja um cara insensível que só liga pra isso, mas é que um homem tem suas necessidades afinal de contas. Fiquei ali refletindo sobre isso por alguns segundos até que ouvi um comunicado por parte da minha sogra. Ela disse que minha namorada iria com o caseiro até o centro da cidade comprar as coisas pro café da tarde e perguntou se eu iria junto, disse também que ela não iria pois tinha que tomar banho naquela hora pra não ter que perder a novela depois. Olhei pra ela, com preguiça de pensar, olhei pro horizonte, vi a cabra de relance, olhei de volta pra ela, pra cabra, pra ela, e por fim disse que ficaria ali no sítio mesmo descansando. Minha consciência não entendia direito o que estava acontecendo, ou pelo menos não queria me contar, mas percebi que o clima de repente mudou.

Ouvi o barulho do carro saindo, e logo depois um *SLAP*, que era o barulho da porta do banheiro que minha sogra havia acabado de fechar. Meu inconsciente então sussurrou algo como: "é agora". Olhei de longe em direção à cabra, e corri em direção dela. Eu não sabia bem o que passava pela minha cabeça, mas seguia em frente. Me aproximei, ela me olhou parecendo estar um pouco assustada, mas ao mesmo tempo com segundas intenções. Estava com aqueles olhos de ressaca, me encarando de relance, com a cabeça um pouco baixa, como quem come grama enquanto olha disfarçadamente pra sua presa sexual. Eu não sabia bem o que eu estava fazendo ali, mas de alguma forma ela me hipnotizou, e como num passo de dança ela se virou de costas pra mim, ao mesmo tempo que me desloquei pro lado e acabei ficando atrás de uma toalha pendurada no varal, como se assim eu me escondesse do resto do mundo. A hora era nossa, por trás da toalha aconteceria um momento sublime e marcante na vida de nós dois. Eu não sabia se gritava, se chorava, urinava, mas ao que tudo indicava eu estava realmente fazendo aquilo, e continuei. Por fim abaixei as calças, coloquei as mãos no traseiro da cabra, respirei fundo, fechei os olhos, ouvi um grito, e.. opa, ouvi um grito. Foi quando meu cérebro processou em 0.435 segundos a informação de que aquilo não poderia ser o grito de uma cabra, era mais similar ao de uma galinha, ou quem sabe de um marreco, ou quem sabe de minha sogra. Minha sogra. Abri os olhos.

Virei pra trás, e ali estava ela. Minha sogra havia esquecido a toalha no varal e, quando foi buscar, encontrou apenas seu genro de costas com as calças abaixadas e as mãos no traseiro de uma cabra. (quem nunca?)
Foi quando meu cérebro processou em 0.895 segundos várias informações, entre elas "qual a explicação mais plausível e prática que posso dar pra esta cena lamentável?", "teria sido bem mais fácil se a filha dela tivesse liberado a- ", "puta merda ela chegou bem na hora que eu ia m-", e a última foi "mas e se eu...", foi quando eu nem terminei o pensamento e dei uma senhora cotovelada no meio da fuça da senhora minha sogra. Ela caiu, porém ainda lúcida, e gritando algo parecido com "CREIDEUSPAI", foi quando eu dei uma senhora joelhada um pouco abaixo da fuça dela, sem deixar que ela terminasse seja lá a frase que fosse (obrigado Anderson Silva). E então ela caiu de uma forma mais caída que da primeira vez, daquelas que você olha e pensa: "nossa, mas dessa vez ela caiu feito uma jaca", e não se esperneou, levantou, gritou, falou, respirou. Estaria minha sogra morta? Ou melhor, teria sido minha sogra morta por MIM? Subiu uma onda de desespero + emoção inexplicável, e fiquei ali, perplexo, não sabia se deveria me sentir aliviado ou preocupadíssimo. Não tive nem tempo de escolher entre uma das opções pois ouvi um barulho familiar de carro entrando no sítio, o caseiro e minha namorada haviam retornado. E eu ali, com as calças no tornozelo, uma velha com a fuça sangrando aos meus pés, e uma cabra assustadíssima acompanhando aquilo tudo. Eis que decidi que era hora de usar tudo que havia aprendido com Dexter até então.


Continua...

terça-feira, setembro 20, 2011

Os 5 velhos que inspiram minha velhice

Claro que faltam muitos e muitos anos pra eu alcançar a velhice, preciso no mínimo triplicar minha idade atual, mas nunca é cedo pra refletir sobre o que você fará quando as rugas te encontrarem. Nas pouquíssimas vezes que eu parei pra pensar como eu serei quando for um lindo idoso não fiquei muito animado, talvez por ter uma imagem de que velho é muito limitado pra fazer várias coisas da vida, sejam elas sexuais ou não. Porém numa das últimas paradas pra pensar no assunto eu reparei que tem alguns velhinhos conhecidos com um estilo de vida que eu aceitaria sem problemas quando eu for um senhor de idade. Vou partir logo pros meus queridos pré-jurássicos que fica mais fácil explicar. Veja logo abaixo (em ordem crescente de jurassicidade).

MICK JAGGER - 68 ANOS

Se eu tiver pelo menos metade da energia que Mick Jagger tem nos palcos quando eu tiver 68 anos, porra, tá ótimo. O cara não para. Canta aqui, rebola ali, pula, dança, grita e não se cansa. Isso sem mencionar todo o passado dele de sexo, drogas e rock n' roll... e sinceramente eu acho que se não fosse assim no passado ele e seus colegas de banda não estariam tão dispostos como estão hoje. O Keith Richards por exemplo (guitarrista) era movido a pó, ou é ainda, não sei. Essa parte das drogas na juventude eu dispenso, mas essa disposição aí dos velhotes, aceito.

"Não terei satisfação" se eu não tiver a energia e disposição de Mick Jagger quando eu tiver a idade dele.

JÔ SOARES - 73 ANOS

Confesso que na minha cabeça "Viva o Gordo" está diretamente ligado a Ronaldo, ou seja, não sou da época dos programas humorísticos do Jô, mesmo assim sou fã desse gordo. Quem me dera quando eu tiver meus 73 anos possuir um cérebro lúcido como o dele. O cara é entrevistador, escritor, ator, apresentador, diretor, tudo. Além de ser um semi-poliglota e ter uma inteligência que exala por todos os seus orifícios. E o mais importante: ainda possui as virtudes do sarcasmo, ironia, senso de humor, e tudo isso que tem riso no meio, implícito ou explícito, coisas que não dá pra viver sem se você quer ser alguem que preste.  Deixo pra falar mais dele em outro post, quando ele morrer quem sabe (se ele morrer HOJE ficarei muito chateado por ter dito isso).

Do Jô pegarei emprestado a capacidade de absorver conteúdo durante toda a vida e saber usá-la ainda na velhice, com total lucidez, senso de humor, inteligência, e até arrogância quando necessário (velho 100% educado não tem graça). Beijo do magro, wow!

SÍLVIO SANTOS - 80 ANOS

Ma-ma-ma-ma-mas olhamm, é ou não é ele? É ou não é auditóriom? É ou não é ele roqueee? Ma oeeeeee!
Sílvio pra mim já é mito. Vou nem esboçar uma descrição da história dele porque é gigante, todos conhecem, e é incapaz de ser descrita por um imbecil como eu. Além do jeito ÚNICO de falar, se mover, e tudo isso que é imitado por 100 milhões de brasileiros, ele na velhice fez uma coisa que eu gostaria de fazer na minha também: ligou o botão do foda-se. O Sílvio já não tá nem aí pra mais nada, passa a mão no peito da moça da plateia, faz balança-caixão na Hebe, dá em cima de todo mundo, fala besteira todo programa.. foda-se tudo. Já tá velho, já é respeitado, rico... não tem que provar mais nada pra ninguem.

Quando eu tiver 80 anos espero ligar o botão do foda-se tambem e poder fazer coisas que pegaria mal se eu fizesse hoje, além é claro de ter mucho, mucho dinheiro. Ha hae hi hii!

HEBE CAMARGO - 82 ANOS

A "múmia da tv brasileira" nem é tão velha assim. Não a conheço muito bem, até porque os programas dela não me tem como público alvo, mas o pouco que eu sei sobre ela me vale como inspiração pra quando eu for idoso. Recentemente ela teve uma doença (carcinoma seroso papilífero primário de peritônio), ficou até careca, passou por cirurgias, e convenhamos que pra uma senhora de 82 anos isso não deve ser uma coisa agradável, muito menos um bom sinal. E numa entrevista dela que eu li na revista Veja eu me surpreendi com a aceitação dela com tudo aquilo. Não lembro bem as palavras, mas em resumo ela disse que em nenhum momento questionou o por quê DELA estar com a doença, e encarou como uma coisa normal, fez o que tinha que fazer, seguiu em frente, e hoje está saudável novamente.

Meu desejo é ter essa vontade de viver que a Hebe tem, e o modo de encarar os problemas que aparecem no decorrer da vida, tudo isso na maior alegria, felicidade e tudo mais! Gracinha!


ORLANDO DRUMMOND - 91 ANOS

Antes de mais nada: Caralho! Ele já tem 91 anos!!??
De todos que eu citei este é o menos "pop" na mídia atual. Pra quem não o conhece, ele é ator, comediante, dublador, e deve ser mais coisas ainda que eu ainda não sei. Eu não assistia ele na escolinha do prof Raimundo, nem no Zorra Total, nem em qualquer outo lugar que ele esteve. O único trabalho dele que eu acompanho são as dublagens (Scooby Doo, Popeye, Alf, Puro Osso, etc) mas não é disso que eu quero falar. Primeiramente gostaria de recomendar este Nerdcast, onde o entrevistam (a foto acima aliás foi tirada durante a gravação do mesmo). Segundamente, o que eu posso dizer é que eu desejo muito muito chegar aos NOVENTA E UM anos com a lucidez do Drummond, continuar trabalhando com o que ama (e trabalhando muito bem) e ser querido e amado por todos que o conhecem! Eba! Eu seria um idoso feliz e realizado!

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Se eu conseguir adquirir essas qualidades de cada "velhinho" que eu citei, pode ter certeza que eu serei o vovô mais realizado do planeta! Eles são prova de que a vida tem muito mais a oferecer do que nós pensamos, e muito menos acaba com a velhice.
Mas agora deixa eu voltar pro presente que sem ele não chego nem na vida adulta direito. VIDA LONGA E PRÓSPERA!

sábado, maio 07, 2011

Quando você morrer

Quando você morrer, quem vai lembrar de você? Sua mãe? Seu pai? Seus filhos? Seus netos? E quando eles morrerem, quem vai lembrar de você? Quem?

Perto da história da humanidade (a que nós conhecemos) o tempo de vida de cada pessoa é insignificante, mas isso não quer dizer que a pessoa tenha que ser insignificante também. Pense, você está aí, lendo este texto, vivo, e de uma hora pra outra você pode morrer. O que você deixou pra quem ficou? O que você descobriu? O que você criou? O que você mudou? Se a resposta pra todas essas perguntas for "nada", isso é a mesma coisa que seu nome vai ser após sua morte, tudo que você fez em vida deixado pra trás, apagado, dependendo apenas das lembranças dos que te conheciam.