A Cabra, a Sogra e o Dexter.

Tédio, morte e zoofilia juntos num mesmo sítio.

O Formigueiro Invisível.

“Pare”, “Siga”, “Ande aqui”, “Dirija ali”.

O Mundo de Verônica

Uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy.

Quando você morrer

O que você quer ser quando morrer?

Psicotuitoanalise #1 - Fanatismo

O novo método twitteriano de psicanálise avançada freudiana cerebelística anonencefálica.

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segunda-feira, janeiro 06, 2014

Ao Infinito... e Amém.

Fazia bastante frio, mas Caio suava. Todos os dias quando ia pro colégio era a mesma coisa. Não importava o frio que fizesse, após uns quinze minutos pedalando ele já começava a sentir calor. Ele não conseguia pedalar vagarosamente, observando as paisagens, ou seja lá o que tivesse pra ver. Ele tinha que pedalar rápido. Não como um desesperado, mas rápido.
Naquele dia ele estava ouvindo rádio AM, pois seu mp3 só tinha 128mb e cabia cerca de 30 músicas, das quais ele já estava enjoado e mais uma vez tinha esquecido de trocá-las. Optou então pela rádio, pois preferia ouvir as notícias do dia do que as músicas que tocavam nas estações FM. Ouvia nem 10% do que falavam no rádio pois na maior parte do tempo sua cabeça voava. Sobre todas as coisas e em todas as direções. Ele só se lembrava de que estava ouvindo a rádio quando tocava um jingle do qual ele não gostava muito, que dizia "vambora, vambora, olha a hora, vambora!". Ele sentia um certo tipo de nervoso quando ouvia aquilo, mas não sabia explicar exatamente qual. Era diferente. É normal passar a desgostar de músicas ouvidas de manhã por associá-las com o fato de ter que sair da cama, mas aquela o irritava de um outro modo, ele só não sabia ainda qual. Talvez tivesse a ver com o fato daquela música ser associada ao pai, de quando ele se arrumava de manhã antes de ir trabalhar e ouvia a rádio no banheiro, mas agora fazia parte de sua vida também. Ele ainda não era um adulto, estava longe disso, mas estava agora ouvindo-a quase todas as manhãs.

Quando a rádio fazia um intervalo desse jingle e só ficava dando notícias, Caio aproveitava pra pensar. Ele gostava bastante de pensar sobre tudo, ainda mais sobre as coisas "difíceis de se pensar". Ao parar num semáforo, ele sentiu um pingo caindo logo abaixo do seu olho direito, na maçã do rosto. Sempre que isso acontecia ele ficava na dúvida se era gota de chuva ou xixi de passarinho, pois esta segunda ainda nunca havia lhe acontecido e ele sabia que sua hora ia chegar. Quando olhou pro alto viu um emaranhado de fios do poste, e lá mais no alto ainda, o céu. Ele queria poder voltar a cena em câmera lenta e ver o pingo subindo, voltando de onde veio, pra ele descobrir de fato sua origem. Seria um orvalho do fio, ou estava começando a chover? Enquanto imaginava a gota voltando no tempo e subindo, notou que alguém do seu lado atravessou a rua, e percebeu que o sinal já tinha aberto. Deixou então de olhar pro alto e seguiu de volta seu caminho. Resolveu que naquele dia pensaria sobre a imensidão do céu, algo que ele via todos os dias, que parecia tão perto, mas na verdade é tão longe. Que fazia parte da sua vida mas ao mesmo tempo estava tão distante. Que parecia o acolher mas ao mesmo tempo o desprezar. Podia ser bonito, mas também assustador. Tinha várias faces, e além de tudo era infinito.

Era uma loucura pra ele entender o fato de algo ser infinito. Era uma das coisas que davam "bug no cérebro". Tentar visualizar o conceito de infinito em sua mente não era possível. Da mesma forma que não dava pra imaginar de onde veio o Universo. Pra ele, o cérebro não é capaz sequer de conseguir imaginar a inexistência das coisas em si. Não se consegue imaginar o vazio.
Como imaginar se a vida não existisse? Não dá! De onde veio a vida? De Deus? Mas e Deus, de onde veio? De outro Deus? E este outro veio de outro, que veio de outro? Essa geração de Deuses também é infinita? Será que Deus é justamente isso, tudo que é infinito? A cabeça dele dava um nó. E ele até que gostava.
Pra ele as questões de Universo e Deus eram impossíveis de se refletir. Talvez seja por isso que essas coisas iniciem com letras maiúsculas, pois são coisas impossíveis de se pensar e chegar a uma conclusão de como funcionam. Assim como as pessoas. 
De onde viemos e pra onde vamos? Essa era uma questão que ele já havia desistido faz um tempo. Por ele, "vida" deveria iniciar com maiúscula também, assim como "morte". Será que quando morrermos entenderemos afinal o que é o infinito? Ou quem sabe faremos parte dele? Ou será que já somos, e até viemos dele? Ou será que aquele papo de paraíso e inferno existe mesmo? Maldito infinito. Maldito Deus. 

Ao passar por uma praça ele viu uma mulher andando acompanhada de uma criança, carregando papéis e o que se parecia com uma bíblia. Deviam ser testemunhas de jeová ou algo assim. Ele achava aquele tipo de pessoa realmente irritantes. Pra ele, parece que elas querem te obrigar a entrar na religião delas. Que desejam empurrar o Deus dela pra dentro de sua casa pra que seja o seu também. Por quê? Por que insistem em jogar o maldito Deus delas na cara dos outros? Vem com aquele papo de compartilhar a "palavra de deus", mas pra quê? Valeria muito mais a pena se ao invés de distribuírem palavras distribuíssem ações. 
Para Caio, as pessoas acreditariam mais em Deus ao ver coisas belas e positivas, ao invés de baterem com a bíblia na porta de suas casas tentando fazer com que engulam o que lá esteja escrito. Ele via muita discórdia e briga por causa de religião, e isso não fazia o menor sentido. Pra ele, religião era coisa do homem, e não de Deus. E o homem, como todos sabemos, é capaz de fazer tanto bem quanto mal. Se todos afirmavam que "Deus é amor", pra que todo esse ódio envolvido então? Foi então que ele chegou a uma conclusão sobre Deus. Não sobre o Deus de todos, mas o seu próprio. Pra ele, deus se encontrava nas coisas que transmitiam o "bem". Deus estava nas atitudes, e não lá no alto nos observando e anotando quantas bolinhas do terço rezamos. Agora então, deus não precisava mais de letra maiúscula.

Enquanto pedalava, Caio buscava então a presença desse seu deus, e ele o via por todos os lados. Devia ser verdade então aquilo de que ele é onipresente. Deus estava no sorriso dos pais que saíam do hospital carregando seu filho recém-nascido. Deus estava no beijo no rosto que a criança deu em sua mãe antes de entrar na escola. Estava na satisfação de um garoto ficando com uma menina, atrás do muro, do outro lado do colégio. Estava nas mãos dadas de um casal de velhinhos,os dois já enrugados, porém ainda juntos e aproveitando a companhia um do outro. No alívio daquele cachorro ao encontrar finalmente um lugar pra fazer cocô. No prazer daquela mulher ao correr e suar enquanto ouvia suas músicas. Deus estava por todos os lados.
Ele sentia deus ao se lembrar que naquele dia tinha novo episódio de Lost, e que à noite, quando chegasse em casa, poderia assisti-lo comendo fandangos. Sentia deus ao achar uma nota de dois reais no seu bolso, sabe-se lá desde quando ela estava ali. Sentia deus quando seu pai lhe dava um mp3 de 128mb de aniversário, enquanto todos tinham de 1gb, mas sabia que o pai nem sabia dessas coisas e comprou o que pôde, e o que o filho desejava. Sentia quando sua mãe demonstrava orgulho de quem ele era. Quando marcava um gol. Quando seu time marcava um gol. Quando fazia um gol contra, mas que tinha sido muito engraçado. Na masturbação discreta durante o banho. Ao roubar comida da geladeira na madrugada. Sentia deus quando se sentia livre, e que teria todo o futuro pela frente, podendo conquistar tudo que desejasse. Ele sentia deus na satisfação de ter concluído enfim o que seria, pra ele, deus.

E sentindo deus ele continuou a pedalar, perdido nos seus mais novos pensamentos. Até que veio um "vambora, vambora, olha a hora, vambora!" e cortou sua linha de raciocínio. Deus não está nesse jingle de jeito nenhum. Resolveu desligar o mp3 pra poupar bateria. Olhou pro lado esquerdo antes de atravessar a avenida e com uma das mãos tirou o aparelho do bolso. Deu três pedaladas rápidas e então ouviu um som tão desagradável quanto o jingle. Quando olhou pra sua direita viu um ônibus, que parecia estar maior do que o normal, talvez por já estar tão perto, e tão rápido. O som vinha da buzina estridente, que de nada adiantava, já não tinha mais o que fazer. Naquele momento, Caio não chegou a ver um filme de sua vida, mas se sua vida fosse um filme, aquilo teria sido apenas um frame. Foi muito rápido. Viu um flash do ônibus, e logo já não via mais. Sentiu como se estivesse voando, mas ao mesmo tempo paralisado. Não conseguia organizar seus pensamentos, só o que conseguia era ver e sentir. Ele via o céu, e sentia o nada. Foi a primeira vez que teve essa ausência de sentimentos. Nem paz nem agonia. Nem dor nem felicidade. E então, no último resquício de qualquer coisa, percebeu que sentia-se, assim como o céu que o encarava lá do alto... infinito. Sentiu também uma gota se esparramar na maçã direita do rosto, mas não tinha como saber se era a chuva que caíra de vez, se era lágrima, ou finalmente xixi de passarinho. Sentia que agora ele teria a resposta pras coisas maiúsculas, e que talvez elas nem fossem tão importantes assim. Sentiu que ainda não era hora de descobrí-las. Sentiu seu deus. "Vambora, vambora, olha a hora!". E então acabou. Olhou uma última vez pro céu. Agora eram todos apenas um: Ele, deus, e o infinito.

quarta-feira, junho 13, 2012

Eu vim pra São Paulo - Capítulo I

Ultimamente eu tenho ido dormir muito tarde, por volta das 4h ou 5h, e não me sinto mal por fazer isso afinal não trabalho nem estudo cedo, e eu aproveito muito mais o tempo de madrugada do que eu aproveitaria de manhã. Eu penso melhor de madrugada, consigo me concentrar mais nas coisas, fica aquele silêncio, aquele escuro, aquela paz, melhor pra escrever, ler, editar, pensar, tudo. Então eu tô aproveitando ao máximo isso enquanto posso e ando acordando por volta das 12h.
Ontem por exemplo eu só consegui dormir lá pelas 6h pois tive que terminar meu último trabalho do semestre (yess), e eu deixo tudo pra última hora mesmo, desculpa se eu só funciono assim.
O que acontece é que neste momento são 08h34 da manhã, e cá estou, acordado e escrevendo este post. Nossa como sou dedicado ao blog né, até acordo cedo, com apenas 2h de sono, pra vir aqui postar. Só que não.
Hoje a empregada veio aqui limpar a casa e eu tive que acordar as 8h, mas ok, tô super disposto e animadzzzzZzZzzZ. Como não consigo fazer nada útil de manhã, tive a brilhante ideia de escrever este post que eu estou devendo faz tempo (não que seja algo inútil, mas enfim), que é a continuação da minha vinda pra São Paulo, que se você não leu, só clicar. Let's go de metrô então.


Nossa eu vi que faz OITO meses que eu escrevi o primeiro post da saga. Puta preguiçoso de merda que eu sou viu.
Bom senhores, como hoje é dia 13 de Junho de 2012, faz exatamente 4 meses e 9 dias que eu estou morando aqui em sampa (odeio essa palavra mas vou usá-la no texto pra não ficar escrevendo são paulo o tempo todo). Me mudei pra cá no dia 4 de março, e lembro que nesse dia eu fui assistir a um jogo do Palmeiras no Pacaembú, e... enfim, se eu dependesse do Palmeiras pra ser feliz aqui eu já teria me jogado do prédio.

Eu moro atualmente num apartamento na região central com mais dois indivíduos, mas como eles trabalham durante o dia e eu estudo durante a noite, praticamente não os vejo. Ou seja, me sinto morando sozinho, exceto na parte de pagar as contas do mês.

O primeiro mês até que foi bem tranquilo, foi o mês de adaptação, de conhecer a região, como funcionaria minha rotina e tudo mais. Eu não tive dificuldades em relação ao transporte porque eu já estava estudando aqui desde fevereiro, eu vinha e voltava pra minha cidade todos os dias. Eu saía de São José após o almoço e chegava em casa por volta das 01h30, só pra assistir a 4 aulas. Cansativo e improdutivo, não tava legal. (Tem até umas duas histórias pesadas que aconteceram nesse tempo, mas que eu conto depois, tem a ver com gays e pedófilos) Mas pelo menos esse período me ajudou a conhecer os lugares que eu tinha que ir, quais metrôs e trens pegar, etc. E quando eu me mudei definitivamente pra cá não sofri com isso, exceto é claro pela lotação, mas isso é cotidiano.

A maior dificuldade do primeiro mês acredito que foi a alimentação. Era óbvio que isso ia acontecer, eu simplesmente não sei cozinhar nada, NADA. Antes de chegar aqui eu só sabia fazer: Miojo (bendito seja), pipoca, ovo, bolo, sopa e pão com manteiga. Então eu aprendi mais ou menos a fazer arroz pela internet, o feijão eu compro pronto e só esquento, afinal nem a pau que eu vou trazer uma panela de pressão pra cá. E tem a parte mais chatinha que é fritar as coisas, chatinha e perigosa, nunca pensei que fritar um hambúrguer seria tão assustador:

Certo dia, estava eu fazendo meu almoço, ouvindo meus podcasts, e me preparei pra fritar o hambúrguer. Ok, tranquilo, protegi meu braço pra não espirrar aquele óleo assassino em mim, e coloquei ele lá na frigideira. O hambúrguer deu uma entortada, então o virei pro outro lado. Tudo normal. Até que de repente ele começa a fazer um barulho estranho, e começa a sair muita fumaça debaixo dele, a cada segundo saía fumaça e fazia um barulho ('shhhh'). Um pouco assustado, fiquei olhando pra ele e pensando que porra poderia estar acontecendo, até que segundos depois, O HAMBÚRGUER PEGA FOGO!!!11! Simplesmente sobe um fogo enorme da frigideira, que chegou até o microondas, que fica acima do fogão (quando eu reli meu texto achei essa frase bem óbvia, mas vou deixar mesmo assim). Minha reação na hora foi:   .
Assoprei o fogo, adiantou nada. Assoprei de novo, nada. Peguei um copo e comecei a colocar água, "vou apagar esse fogo é agora", gritei mentalmente, até que durante um segundo vieram vários pensamentos e lembranças na minha cabeça, uma delas por exemplo era eu criança, na casa da minha avó, espirrando água com as mãos no fogo aceso do fogão(dã) e vendo ele dar uns estalos e tal, às vezes até aumentando. Até que eu mudei de ideia(que era MUITO imbecil por sinal) e resolvi abandonar o copo. Até que eu tive uma nova e brilhante ideia: Desligar/virar o botão lá do gás, nossa eu achei que seria tão fácil dizer mas eu não sei o nome do negócio, enfim, "apagar o fogo". Acontece que o fogo continuou depois que eu virei o negócio. (tudo isso que eu tô escrevendo não durou nem 4 segundos).
Hesitei por um momento, sem saber o que fazer, e assoprei. puufhhh (onomatopeia do assopro). E então, como num passe de mágica, todo o fogo sumiu. E eu então aliviado me sentei na cozinha, no meio daquela fumaça, e refleti sobre a vida por alguns minutos. Foram os 4 segundos mais longos da minha vida, e ali nasceu um pequeno trauma de hambúrgueres, e como vingança comerei todos eles até o final de minha existência. Sou fogo. (trocadilho glr)
Dias depois a cozinheira Giselle foi em casa e fritou um hambúrguer usando água na frigideira, o que eu já tentei fazer e não deu certo, então acho que ela usou magia negra, não sei, porque ficou até melhor do que o que eu frito com óleo. Mas acho que não vale a pena o esforço de tentar fazer isso sozinho aqui.

Vou parar o texto por aqui senão ele vai ficar muito longo, e a mesma preguiça que você tem de ler textos grandes eu tenho de escrever. No próximo capítulo eu falarei mais sobre a vida fora do apartamento, que é mais divertida por sinal. Acredito que postarei em menos de 8 meses a continuação, mas nunca se sabe. Enfim, se gostou clica no botão "gostei" ali embaixo, adiciona como favorito, e tambem não esquece de se inscrever ali em cima no can- ah, nem é youtube. 

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Leia até o fim e seja um otário.

É babaquice essa ideia de que apenas ao ler algum texto uma pessoa se torne otária, mas no mundo em que vivemos hoje isso pode até fazer sentido, e você vai entender o por quê, é só ler o post até o fim (e automaticamente se tornar um otário).
Essa coisa de leitura é realmente um problema hoje em dia, não pra todos, mas pra quem ainda não sabe do que se trata a ação de...ler. Eu até entendo, o ser humano entra na pré escola, aprende a ler, leva aqueles livrinhos do João e o pé de feijão, Gato de Botas, Bela Adormecida, e afins pra casa, lê com a mãe, vê as figuras, acha um pouquinho divertido. No ensino fundamental ele passa a ler livros que possuem mais textos, uma história mais desenvolvida, mas é claro, não podem faltar as figuras. Conforme vai aumentando o ano escolar, vão diminuindo as figuras e aumentando os textos, e dessa vez meu amigo, não é você quem escolhe o livrinho na biblioteca pra ler com a mãe, é na base do compra essa porra de Iracema e lê direito porque vai ter prova disso.

Claro que não funciona assim com todos seres humanos brasileiros, você provavelmente não é um deles pois está lendo um texto de um blog de um babaca enquanto poderia estar assistindo BBB ou A Fazenda, mas a grande maioria das pessoas que eu conheço que não gostam de ler, é devido aos Dom Casmurro's da vida de leitura obrigatória. Acredito que isso acontece por essas pessoas não terem adquirido o hábito de ler antes desse período, por não ter a leitura incentivada em casa, além dos livrinhos da escola, então acaba acontecendo dessas pessoas relacionarem os livros como algo escolar, como se ler fosse uma matéria.

Às vezes acho que é culpa dos pais. Não que o pai não queira que o filho goste de ler, mas por preguiça de enfiar o filho nesse mundo da leitura. É só o filho aprender a ler que pronto, ele que se vire sozinho a partir de agora. Esse já é um primeiro filtro, onde avançam os que descobriram que existem livros muito bons antes de chegar no período de leituras de vestibular. Pro restante do pessoal existem alguns raros casos que podem salvar, o da minha época foi Harry Potter. Aqueles que ainda não haviam descoberto bons livros se depararam com o estouro de Harry Potter, que também se depararam com centenas de páginas sem figuras, que então desistiram de ler. Ok, nem todos eram como eu, vários passaram a gostar de ler após os livros do bruxinho camarada. Atualmente está acontecendo este mesmo tipo de fenômeno, livros que estouraram e se tornaram best-sellers entre os jovenzinhos, ou melhor, as jovenzinhas deste mundo, uma tal de saga "Crepúsculo". Enfim... sejam bons ou ruins, surgem alguns livros que faz com que pessoas que ainda não gostavam de ler passem a gostar. Ou melhor, descubram realmente o que é leitura.
Olha aí o bruxinho camarada

Eu sei que você não perguntou, mas eu sempre li os gibis da Turma da Mônica quando criança, nada além disso. Livros eu passei a gostar e querer comprá-los há pouco tempo, há uns 4 anos, depois que eu li "Anjos e Demônios", entro na categoria dos que passaram a ler livros devido a um best-seller, que na verdade eu li por que uma menina que eu gostava estava lendo, mas isso não vem ao caso.

E a situação de hoje é a seguinte: 17,635% dos jovens carregam o livro na mochila, lêem nos tempos livres, compram, emprestam, trocam livros, e não param de ler. O restante dos jovens não gostam de livros, acham bobeira ler, coisa de otário, coisa de nerd, eu-poderia-estar-pegando-alguém-ao-invés-de-estar-lendo, etc. Dependendo do lugar que eu vou eu tenho até vergonha de carregar meu livro por me sentir excluído, estranho. No ensino médio eu não levava livro pra aula porque eu sabia que não ia conseguir me concentrar no livro e pensar ao mesmo tempo que vários estariam me achando idiota.

Acontece que essas pessoas não sabem o que é ler, ler é como beber água, comer, andar, respirar, ir ao banheiro, colar na prova, dormir... não tem como não ler hoje em dia, se você não for analfabeto, claro, e se for não está lendo esta última frase desnecessária. [Se bem que existem muitos que sabem ler mas não usam isso pra nada, se fosse possível uma transferência de analfabetismo, seria útil.] Quando eu digo ler, não se trata apenas de livros, mas de qualquer coisa. É só passar de dois parágrafos que aqueles que não gostam de ler já reclamam e buscam um meio de não precisar ler aquilo, sendo que até que ele pense em um outro meio, ele já poderia ter lido o texto 10 vezes.

Eles não entendem que a leitura existe pra facilitar nossa vida, e principalmente, que não existem só livros e histórias chatas como as de Machado de Assis (me desculpa se você gosta, mas eu acho chato pra caralho). Pra qualquer tipo de pessoa existe um livro que se ela ler, ela vai gostar, qualquer uma. Mas pra quê o indivíduo vai correr atrás disso né? Tá mais fácil coçar o saco e olhar a bunda da atendente gostosa do que procurar um livro numa prateleira. Aliás, se você é do sexo feminino e acha que todos os homens são iguais, que nenhum vale a pena... na dúvida, escolha o que lê livros, que provavelmente o universo dele não gire só em torno de mulher, futebol e cerveja.

E se você é jovem e gosta de ler, tem que se contentar com sua imagem de nerd e otário diante da grande maioria (veja bem, eu não disse todos) dos que acham que livros são inutilidades em forma de papel. Ler este texto não te tornou uma pessoa otária, mas se você leu ele inteiro, é sinal que você não lê pouco, e se você não lê pouco, é sinal de que você anda com um livro por aí, e se você anda com um livro por aí, muitos podem te achar um otário, e se você é um otário, eu tambem sou. Se você não se sentiu melhor com mais um se declarando otário, leia o livro de autoajuda: "Como superar a otariedade na sociedade moderna".

Obs.: Se este texto fosse leitura obrigatória nas escolas, muitos odiariam ler por minha culpa.