A Cabra, a Sogra e o Dexter.

Tédio, morte e zoofilia juntos num mesmo sítio.

O Formigueiro Invisível.

“Pare”, “Siga”, “Ande aqui”, “Dirija ali”.

O Mundo de Verônica

Uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy.

Quando você morrer

O que você quer ser quando morrer?

Psicotuitoanalise #1 - Fanatismo

O novo método twitteriano de psicanálise avançada freudiana cerebelística anonencefálica.

Mostrando postagens com marcador Sexo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sexo. Mostrar todas as postagens

sábado, dezembro 14, 2013

A Vida é (uma) Foda

A vida é uma foda
Uma orgia de egoístas
Onde se foder é moda
E o orgasmo é uma conquista

Todo mundo só quer receber
Sempre atrás de uma fodinha
Caminhando em busca de prazer
Não importando por onde caminham

E assim todos seguem
Sem nem olhar por onde pisam
Falsa bondade só se consegue
Quando de você eles precisam

A vida é foda

Goza na tua cara
Sem informar ou pedir
E sua maior tara
É te fazer engolir

O mundo é foda

E ele gira, roda
Passa por cima
Te esmaga e
Te desvirgina

Não tem lugar pra cabaço
Não tem lugar pra frescura
Não liga se sua vida ta fácil
Ou se sua vida ta dura

Se aceitar você não é capaz
Ele te prende e te fode por trás
Não adianta buscar abrigo
Quem tem cu, já corre perigo

Entre as quatro paredes da vida
Não se pode ficar parado
Ou você goza com ela
Ou por ela é estuprado

quarta-feira, agosto 21, 2013

O Mundo de Verônica

Lágrimas. Era o que Verônica sentia escorrendo pelo seu rosto enquanto lamentava sua vida, deitada na cama. Cada lágrima que escorria era uma mágoa, uma angústia, um sentimento de que não dava mais. Acabara de completar 22 anos mas já achava que era a hora de partir. Não havia motivação, não havia mais o que fazer. Sentia como se tudo que fazia desse errado, nunca conseguia cumprir seus objetivos, e os poucos que restavam pareciam estar muito distantes. Não dava mais. Mais lágrimas.
Sentia-se sozinha, deslocada, como se não fizesse parte daquele lugar. Verônica se via como algo totalmente inútil e desnecessário, longe de ser o centro das atenções, não fazia diferença nenhuma. Se via como uma entrevista do Pedro Bial no meio de uma revista Playboy. Ninguém dava a mínima pra ela ou sentiria sua falta caso ela não existisse, ela só estava ali por estar, porque a colocaram ali.
Quando fez essa relação de ser um mero texto dentro de uma revista Playboy, Verônica soltou um leve sorriso debochado e decepcionado. Isso resumia como ela se via, como meros blocos de letras e textos com seus significados, conteúdos e ideais, desejando ser absorvida, admirada, ou pelo menos apenas vista por alguém, mas sem sucesso. Tudo aquilo que estava ao redor, nas outras páginas, acabava atraindo bem mais a atenção de todos.

Tinha 22 anos e ainda era virgem, tendo beijado apenas dois rapazes. Não que ela se importasse tanto com isso, era daquelas que não ligava muito com o que pensavam e o que a sociedade estabelecia, ou pelo menos era o que afirmava. Mas se importava, e muito, em ainda não ter chegado nem perto de viver um grande amor. O mais perto de um relacionamento que chegou foi ter sido acompanhada por Eduardo de ônibus até sua casa após terem se beijado, sendo que após o fechar das portas ela nunca mais conseguiu vê-lo novamente. Se deprimiu de início, cansou os olhos de tanto chorar e acabou guardando rancor, após um tempo fingiu não mais se importar, e por fim fingiu que superou. Mas a mágoa continuava lá. Adorava assistir a comédias românticas, assistiu pelo menos umas 50 vezes "Como Se Fosse a Primeira Vez". Se divertia e aproveitava enquanto assistia, mas no final sempre acabava se sentindo mal, desolada, mais ou menos da forma que se sentia após se masturbar pensando no Michael Fassbender. De qualquer forma isso não fazia mais importância, afinal decidiu que tudo tinha chegado ao fim, que não dava mais, aquela era a hora. Verônica decidiu morrer, e foi aí que tudo mudou.

Ao olhar seu reflexo no vidro do medicamento, que segurava com sua mão trêmula, Verônica teve um insight, e acabou até quase esquecendo qual foi pois ficou pensando por que ainda usam a palavra "insight" ao invés de darem uma tradução pra ela. Verônica parou, seu coração deu uma acelerada, ela refletia, discutia e debatia hipóteses dentro da sua cabeça, duvidava da conclusão que havia acabado de chegar, mas por mais que tentasse ser racional não conseguia derrubar a verdade que acabara de desvendar. Continuava olhando o seu próprio reflexo distorcido, até que soltou o vidro, deixando-o cair no piso, e afirmou a si mesma, estupefata, em voz alta: "Eu sou uma personagem!".

E assim, de repente, Verônica passou a ter certeza de que tudo aquilo era uma mentira, que ELA era uma mentira. Ela estava na verdade dentro de uma história, era uma simples e inútil personagem. Percebeu que sua personalidade não passava de uma personalidade padrão, com a qual todas as mulheres se identificam. Se sentia frágil, desajeitada, com baixa autoestima, e frequentemente autodepreciativa. Se colocava pra baixo muitas vezes, mesmo em seus pensamentos. Insegura como era, sempre que se apaixonava ficava desconcertada perto de seu grande amor, e o tinha como um ser extraordinário e maravilhoso, praticamente perfeito. Estava sempre à espera de um romance para fazer de sua vida algo excepcional, em vez de tentar procurar sua felicidade com as próprias mãos. Era óbvio que era uma personagem, e o pior, escrita por alguém que utilizava destes estereótipos femininos pra conquistar mais leitoras.
Resolveu tomar uma providência pra deixar de ser quem era, e quando finalmente descobriu a verdade, sentiu que poderia se livrar de tudo e finalmente ser quem realmente quisesse. Olhou para o alto, onde teoricamente seu Autor se encontraria, e gritou: "Eu descobri toda a verdade! Descobri que sou apenas uma personagem qualquer, com uma personalidade padrão, vivendo às Suas custas! Mas com uma coisa Você não contava! Não contava que eu iria me descobrir sozinha. Agora me livrarei de Você, agora posso ser o que eu quiser! Como eu quiser! Irei me transformar, sair desse estereótipo imbecil, e não há nada que Você possa fazer pra me impedir!".

Verônica então saiu correndo do banheiro, decidida a desaparecer, decidida em se transformar. Fugiu de casa, largou tudo o que tinha, pois sabia que tudo aquilo era uma mentira. Mudou de cidade, de emprego, de faculdade. Ela queria ser diferente, queria romper com tudo e com todos, fugir daquele estereótipo que lhe era imposto.
Foi morar em São Carlos e lá iniciou sua faculdade de Letras. Decidiu que se tornaria escritora e criaria diversas histórias e mundos futuramente, onde suas personagens seriam fortes e originais, donas de seus próprios destinos e que vão atrás de seus sonhos sem depender de mais ninguém.

Anos se passaram e Verônica já era uma mulher completamente diferente. Agora com 28 anos, trabalhava na área editorial e no tempo livre saía com seus amigos e escrevia.
Aos 30 anos se casou com Marcelo, um rapaz que conheceu na editora em que trabalhava. Não foi como um conto de fadas. Não houve sofrimento, proibição, nem sequer dificuldades. Eles apenas se conheceram, saíram, e simplesmente sentiram que davam certo um com o outro. Ela não o via como um príncipe, nem como perfeito, mas via nele uma pessoa que a completava, e sentia que o completava de volta. Ela o abraçava por inteiro, com todas suas qualidades e defeitos, e cada vez mais o amava, desejando ser ele a pessoa com quem passaria o resto de sua vida.

Já aos 40, com mais de dez livros lançados e centenas de milhares de cópias vendidas, Verônica já começava a planejar abandonar qualquer outro tipo de trabalho e viver apenas através dos seus livros. Seu objetivo era que daqui não muito tempo pudesse passar a viver apenas viajando e escrevendo suas obras. Sua série intitulada "Coração Cheio de Algodão", que continha como protagonista Sarah, uma moça que se se sentia dividia entre liderar um grupo feminista e largar tudo pelo amor da sua vida, já era uma das mais vendidas na época, e ainda tinha muito pra render. Mas os planos tiveram que ser abandonados abruptamente. Marcelo descobriu que tinha câncer de próstata, e, com dois anos e meio de tratamento, veio a falecer.

Verônica então afundou-se em si. Ainda tinha, teoricamente, grande parte da vida pela frente, mas não tinha com quem quisesse vivê-la. Todos os planos tiveram de ser abandonados e esquecidos, como se nada tivesse sido pensado. Passou a apresentar indícios de depressão leve e por isso voltou a tomar seus medicamentos. Numa noite, em seu banheiro, Verônica abriu seu armário, pegou seu vidro de remédios, abriu, e congelou. Déjà vu. Se lembrou de anos atrás, quando se sentia arrasada da mesma forma, segurando um outro vidro de remédios. E o ódio surgiu. Verônica, abismada, sentiu que havia entendido tudo, mais do que daquela outra vez. Ela ainda não era livre, Ele ainda estava ali. Ainda era uma personagem. Tinha certeza disso, foi tudo pensado por Ele. Cada problema, cada obstáculo, cada conquista e cada tragédia. Só isso podia explicar os vários episódios que passara na vida. Ela nunca seria livre. Ficou transtornada. Decidiu que era a hora de acabar com tudo, e se vingar.

Sua vida não fazia mais sentido, só o que queria era se vingar dessa injustiça. Foi até seu quarto, sentou-se na cama, pegou seu notebook, e gritou, olhando pro alto: "Pois se é a mim que Você quer, a mim Você terá! Eu desisto de tudo. Desisto de ser livre, de tentar ser dona da minha própria vida. Já que foi Você quem me criou, e é Você quem vai continuar traçando o rumo da minha vida pra sempre, que seja do meu jeito! Ficaremos juntos, sim, até o infinito. Juntos num ciclo sem fim. Seremos ambos personagem e autor. Criador e criatura. Escravos um do outro. Agora serei Você!"

Verônica então assumiu um pseudônimo e criou uma nova personalidade, na verdade não uma nova, mas a Dele. Fechou os olhos e, num segundo de inspiração, assumiu que seu novo nome seria Januzza. Se ajeitou na cama, criou um blog e deu a ele o nome de "Januzzismo", que foi o mais ridículo que conseguiu pensar aleatoriamente. Clicou em nova postagem, e então começou a escrever a Sua nova e própria história:

Lágrimas. Era o que Verônica sentia escorrendo pelo seu rosto enquanto lamentava sua vida, deitada na cama. Cada lágrima que escorria pelo seu rosto era uma mágoa, uma angústia, um sentimento de que não dava mais. Acabara de completar 22 anos mas já achava que era a hora de partir...

sexta-feira, julho 19, 2013

Xeque Mate

Era uma noite como outra qualquer na minha casa: silenciosa, fria e parada. Eu, como era de costume, estava tranquilamente na minha cama jogando xadrez e tomando um suquinho de mango. Foi então, meu amigo, que comecei a reparar num negócio que, ou eu ainda não tinha reparado, ou tinha acabado de começar a acontecer mesmo. Comecei a ouvir um leve ruído vindo do meu armário-roupa, semelhante ao som de um bistolhudo, sabe? Meio que um misto do chacoalhar de duas pandetas com o tilintar de um besberro. Estava mais pra um runzido que um ruído pra falar a verdade, mas isso não vem ao caso. O mais curioso, meu amigo, não foi o fato de ter ouvido um estranho ruído vindo do armário-roupa, e sim que o ruído acontecia apenas na minha vez de jogar! O mais curioso ainda é que, naquele dia, meu amigo, assim como em todos os anteriores, eu estava jogando sozinho o tal do jogo-esporte xadrez. Confesso que fiquei, sim, um tanto encabulado.

Acontece que eu, como um fiel seguidor do Tristianismo, fiz um juramento em meu batismo no qual eu prometi que jamais abandonaria uma partida de xadrez enquanto ela não fosse concluída. Lembro das várias vezes em que houveram partidas disputadíssimas que duraram vários dias e eu não pude abandonar o assentamento da disputa. Obviamente em várias dessas vezes o meu assentamento se transformou num monte de fezes, mas eu não reclamo não, meu amigo, eu sei ser positivo, e o que eu sentia de tudo aquilo era apenas um assentamento macio, cremoso e quentinho. Eu sempre consegui enxergar a metade cheia da merda.

É claro que com o tempo eu aprendi e passei a deixar um penículo sempre ao lado caso precisasse, o problema é que, como eu sempre joguei sozinho-comigo-mesmo, era sempre a minha vez de jogar, e desta forma eu nunca tinha tempo pra fazer outras coisas a não ser pensar no próximo movimento. Foram anos seguindo à risca meu juramento sem falhar, mas confesso, meu amigo, que desta vez não estava nada fácil. Aquele runzido insistia em me desconcentrar. Eu já suportei telefone tocando, cachorro latindo, Balvão Güeno narrando, castarilhos caindo, mas aquele runzido, ah, aquele runzido, insistia em me atrapalhar.

Foi então que decidi tomar uma atitude drástica. Sim, amigo, às vezes sou bastante ousado. Resolvi que faria meus movimentos pensando no máximo dez segundos antes de fazê-lo, com o objetivo de terminar logo aquilo e poder averiguar o que poderia ser o maldito ruído. Confesso que me senti um pouco mal agindo daquela forma, mas não havia nada no juramento que impedisse que eu jogasse com pressa, então següi em frente.

Os segundos passavam, os ponteiros giraloravam, tac tic, eu girava o tabuleiro. O suor escorria, minhas mãos tremiam, tac tic. Eu molhava o tabuleiro de suor, os cavalos escorregavam, os bispos sapateavam, tac tic. Havia uma tensão no ar. Comecei até a ouvir uma música de suspense/adrenalina, ela fazia tutatutatutatutatuta, mais ou menos como naquele filme Estripcosis. A música foi me desesperando, eu movia rapidamente as peças, o tabuleiro girava de um lado pra outro, eu jogava de volta, ele girava, suor escorria, a música tocava, eu jogava de volta. Quando resolvi parar um momento pra respirar, percebi que a música na verdade era apenas o runzido mesmo. Irritado, fechei os olhos e respirei profundamente, fazendo avuar o suor que escorria e chegava em minha boca. Olhei de volta pro tabuleiro e vi. Sim, meu amigo, eu vi, era claro como a luz do Dida, estava ali, brilhando pra mim, chegava a ser irritante de tão cristalina. Eu conseguia visualizar a próxima jogada, como se setas digitais surgissem sobre o tabuleiro e mostrassem o que estava pra acontecer. Eu estava me sentindo dentro de um tira-teima do Arnaldo César Coelho. Reuni toda a energia que pude, e gritei, em alto e bom fom:

- XEQUE. MATE.

E foi aí que fui surpreendido, amigo, deverasmente surpreendido. O runzido de repente parou. Houve uma breve pausa no tempo, como aquela do Matrix em que tudo para e a câmera gira (só que sem a câmera girando, no meu caso), o armário-roupa vibrou, abalou, sacudiu, balançou, e por fim caiu. Poeira foi levantada e após esfregar meus olhos vi, olhando pra mim, um singelo e assassino cheque. Sim, meu amigo, um cheque sobrevoava logo à minha frente e me ameaçava com uma frasca em uma de suas pequenas mãos.

- Mas oh, cheque, o que fazes aqui? O que queres de mim? Sou apenas um simples e humilde Tristão jogador de xadrez. - perguntei me fazendo de desentendido, afinal, eu não estava entendendo nada mesmo.

- Aow to aqui porque recebi um chamado. Eu passei anos viajando de armários-roupa pra armário-roupas em busca deste momento que acaba de chegar. Aow você pediu pra que eu te mate, e é isso que vim fazer. Aow.

- Mas oh, cheque, é aí que vosmecê se engana! Admito, sim, que pedi que matasse, mas não foi a ti que pedi, companheiro cheque. O objeto no qual me dirigi era um Xeque, e não um cheque. Compreendes o mal entendido? Compreendes o Xis dessa questão?

Foi então que algo esplendorosamente assustador aconteceu. O cheque se virou de costas, flutuando, e a verdade foi atirada em minha face como um catchoro na turbina de um avião. Ele mostrou sua marca no que seria a parte de trás de um ombro, caso ele fosse uma pessoa, e então percebi que ele era nada menos nada mais do que um cheque da Xuxa, ou seja, começava com X, como tudo mais que a ela pertence. Fiquei aterrorizado. Pulei da cama, peguei todos os objetos que apareciam na minha frente e os atirava no inimigo. Porém, tudo que eu atirava o Xeque simplesmente engolia, e após poucos minutos meu quarto já estava vazio. Foi só então que percebi que na verdade se tratava de um Xeque sem fundo.

Eu não tinha mais nada, ele engolira tudo que atirei, meu amigo, inclusive minha dignidade. Só o que restava era minha esperança. Caí de joelhos, pus minhas mãos em minha face e tentei arrumar alguma solução. Foi quando eu percebi que o runzido havia voltado, e não só tinha voltado como estava ficando diferente. Ele aos poucos começou a se transformar, aumentar o volume, e comecei a ouvir uns sonzinhos diferentes, como pianinhos, tecladinhos e tintilinhos do além. Enquanto o som foi aumentando fui levantando a cabeça, era como se aquele som estivesse me dando forças. Ele continuava, o Xeque ainda olhava pra mim, mas de repente soltou sua frasca, e deu um leve sorriso de canto de boca, como se impressionado. E então o runzido cantou:


♪ Tudo pode ser, se quiser será
♪ O Sonho sempre vem pra quem sonhar

E então eu entendi, meu amigo, eu entendi tudo. Eu entendi a vida. Entendi o Xeque. Me entendi. Entendi você.

♪ Tudo pode ser, só basta acreditar
♪ Tudo que tiver que ser, será

Era Lua de Cristal tocando, e a única coisa que sou capaz de dizer sobre aquele momento, amigo, é que: foi lindo. Embalados pela melodia da canção e pela voz da Rainha Xuxa, eu e o Xeque cantamos e dançamos. Unidos. Felizes.

♪ O sonho está no ar
♪ O amor me faz cantar

Transamos ali mesmo.

Hoje, anos depois, eu e Xeque formamos uma linda família. Tivemos quatrocentos e trinta e cinco chequinhos filhos, dos quais vendemos todos, exceto os sem fundo. Nossa vida é baseada em jogar xadrez ao som da Rainha Xuxa, não saímos mais de casa e não trabalhamos mais, afinal quando precisamos de dinheiro fazemos novos filhos.

Essa é minha história, e se ela tivesse que ter alguma moral, algum recado pra passar, acredito que seria: Vamos com você, nós somos invencíveis, pode crer ;)~

Grande abraço.

sexta-feira, março 15, 2013

Ode ao Ódio

Olá, quero que você morra
Quero que apodreça
Que pereça
Que faleça
Sua cachorra

Mas calma, não fique assim
Cala a boca e sossega
Vai que a faca me escorrega
Você pode ficar cega
E nunca mais olhar pra mim

Não queria ser hostil
E tampouco violento
Mas se não quer que este momento
Fique sujo e sangrento
Volte logo ao teu canil

Nosso passado está tão apagado
Quanto seu nome em meu diário
Não adianta ficar nua
Nem beijar o escapulário
O que é seu está guardado
Pra ser usado em seu calvário
Só desejo te encontrar na rua
Com você num carro funerário

Que sua mãe tivesse abortado
Que não existisse seu aniversário
Que nunca tivesse me encontrado

Que este poema alcoolizado
Doentio e imaginário
Nunca lhe seja dedicado

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Toalha, o Dinheiro e a Casinha.

[Este texto é a continuação DESTE TEXTO AQUI. Então já sabe né.]



Eu teria que agir o mais rápido que eu pudesse e fazer a primeira coisa que viesse em mente, pois caso contrário perderia tempo e minha namorada poderia encontrar sua mãe estirada no chão, sangrando, e eu ainda com as calças no tornozelo. A primeira coisa que fiz foi pegar a toalha que minha sogra foi buscar e cobri-la, pois assim não seria identificada ao longe. Logo em seguida, ainda sem saber o que fazer exatamente, comecei a levantar minhas calças e me preparei pra sair em disparada em direção à casa, pra tentar impedir que alguém chegasse até o local. Logo que minhas calças alcançaram a cintura dei uma última olhada pra trás, enquanto dava o impulso pra começar a correr, e foi quando a vi, a cabra ainda estava ali, parada, com o traseiro apontado pra mim e sua cabeça também em minha direção. Ela disparou um olhar como quem estava dizendo telepaticamente "você fez uma puta duma merda seu safado, uma grande merda mesmo, gigantesca, cê tá fudido, não vai se safar dessa não, rsrsrshahauha". Me desconcertei com aquele olhar e acabei tropeçando no meu próprio pé e caindo em cima da minha sogra, sobre a toalha. Me levantei assustado com a queda, com a cabra, com tudo, e finalmente saí correndo, mas dessa vez sem a loucura de olhar pra trás. Se Usain Bolt estivesse correndo ao meu lado naquele momento, ele perderia.
Atravessei o quintal, a cozinha, e cheguei aos trancos e barrancos na sala de estar, com uma cara de filho da puta, suado, arranhado, com a braguilha aberta, na mesma hora que minha namorada abriu a porta. Ambos nos assustamos com o encontro, mas foi ela quem perguntou primeiro:
- Nossa que isso!? Por quê você ta desse jeito?
(Pensa pensa pensa caralho pensa)
- Ah! Eu tava correndo atrás da galinha que fugiu, tentando pegá-la. rsrs
- Como assim fugiu? Elas já ficam tipo... soltas.
(pausa dramática - pensa pensa pensa)
- Não, é que tipo, uma saiu do lugar onde elas ficam, costumam ficar, foi correndo sozinha pra outra direção, aí eu fui lá pra tentar mandar ela de volta, só que acabei caindo e tal haha.
- Ahn... rs
- Eu gosto de correr também.
- Não sabia.
- É, tava afim de correr, fazer alguma coisa, haha
- Entendi. Na verdade eu voltei porque esqueci o dinheiro em cima da mesa - por que TODO MUNDO tava esquecendo alguma coisa naquele dia só pra me ferrar? - vou ali pegar logo, o caseiro tá esperando. 
- NÃO PREcisa! - consegui perceber na primeira sílaba da segunda palavra que eu estava um pouquinho alterado e que talvez ela percebesse, então amenizei o tom da voz, o que talvez tenha deixado a frase ainda pior, mas foi o que deu pra fazer - Eu busco pra você.. meu... amor.
- Nossa, "meu amor"? Que bicho te mordeu? - talvez eu não fosse tão romântico na maioria do tempo.
- Uma galinha!! hahaha - ri como se aquela fosse uma das melhores sacadas humorísticas da década, ao mesmo tempo em que mantinha uma cara de leve desespero e meu olho se carregava com uma pequena quantidade de lágrimas, obviamente não pelo humor, mas pela angústia dentro de mim. Me virei logo e fui buscar a porra do dinheiro.

A janela da cozinha dava de frente pro local onde havia uma cabra dissimulada e uma toalha toda ondulada, como se houvesse alguém se escondendo embaixo dela, então era melhor que eu mesmo fosse pegar o dinheiro pra não correr o risco dela ver aquilo lá fora. Entreguei os trinta reais, e ela logo então voltou para o carro e juntamente com o caseiro partiu de vez pra comprar sei lá quais merdas pro maldito café da tarde.
Eu estava transtornado, sentia que a qualquer momento poderia desmaiar, mas tentei ser o mais forte possível pois caso isso acontecesse a merda seria maior. Dei uma rápida e profunda respirada e logo depois reativei meu modo Usain Bolt, correndo sem nem saber pra onde, nem o que fazer, mas correndo, o negócio era esse. Corri por alguns segundos até que cheguei no quintal e o que eu vi foi arrasador, ou melhor, o que eu NÃO vi. MINHA SOGRA NÃO ESTAVA MAIS LÁ! NEM ELA, NEM A TOALHA, A CABRA, O VAral... ué, o varal? Foi quando eu percebi que na verdade eu tinha corrido pro outro lado da casa, e lá não deveria ter nada mesmo. Teria sido engraçado aquele momento de grande desespero pensando que minha sogra havia reacordado e sumido dali, mas não foi pois eu estava realmente desesperado. 

Parti em direção ao local do crime, e confesso que senti certo alívio quando avistei aquelas ondulações cobertas por uma toalha no chão. Mas a cabra já não estava mais lá. 
Chegando ao lado da minha sogra, que ainda se encontrava inconsciente, comecei a refletir enquanto recuperava o fôlego. O que Dexter faria num caso desses? - eu pensava. Ele era o rei de fazer merda, matar pessoas, e nunca ser pego. Não é possível que eu, na minha primeira grande merda, já me foderia.  
Foi quando eu virei a cabeça pro meu lado esquerdo e a avistei, ela, a maldita cabra. Ela estava parada, ao lado de uma casinha (dessas que abrigam todas as coisas inúteis do sítio e que ninguém tem coragem ou saco pra jogá-las fora), olhando pra mim. Me olhou fixamente por cerca de 5 segundos, dando umas 3 mastigadas neste intervalo de tempo, e depois olhou pra entrada da tal casinha, onde ficou olhando por uns 2 segundos, antes de voltar a olhar pra mim. A mensagem foi clara, e eu a captei.  
Eu tentei várias formas, mas a melhor e mais fácil que encontrei de carregar minha sogra semi-obesa até a casinha foi puxando-a pela perna, talvez houvesse um modo mais prático, mas eu não descobri no momento. Eu não tinha tempo pra pensar se ela estava se machucando muito no percurso pois eu estava ocupando minha mente com questões mais importantes como por exemplo "ok, vou levá-la até a casinha, mas e depois o que é que vou fazer com a desgraçada?". 

Chegando lá dentro, fechei a porta de madeira, e me agachei ao lado da desmaiada. Pensei no máximo de possibilidades possíveis do que fazer. Se eu a deixasse viva, estaria fudido. Se ela não ficasse viva, não seria tão diferente assim, pois eu com certeza seria o principal suspeito por ter ficado sozinho com ela no sítio durante este período. Mas e se ela simplesmente desaparecesse? Sem mais nem menos? Assim como as vítimas do Dexter. A diferença é que ela não era uma criminosa qualquer, uma assassina, e teria pessoas que sentiriam sua falta. Mas nenhuma das possibilidades, por mais absurdas que fossem, era pior do que deixá-la viva. Sobre isso eu estava decidido. A única dúvida que restava era o que fazer com o corpo depois. Enquanto eu não chegava a uma conclusão, vi uma lona, como aquelas que ficam em carrocerias de caminhões, num grande rolo, embaixo de uma bancada. Foi quando eu repentinamente decidi de vez o que faria. Eu agora já tinha uma lona pra revestir o interior (ou grande parte) da casinha, e uma bancada pra colocar minha sogra em cima. E então, sabendo o que fazer, dei início ao meu primeiro ritual. 


Continua...

segunda-feira, dezembro 17, 2012

O Mundo na Minha Cabeça

Eu tenho um pequeno distúrbio mental e não sei se é só comigo que isso acontece. Às vezes eu penso que vou ficar louco. Não sei na verdade se isso é uma vontade, um receio, ou quem sabe uma falta do que fazer com meu cérebro, só sei que em vários momentos eu me sinto como se fosse um Bruce Banner, só que ao invés de tentar me controlar pra não virar o Hulk, eu tento me controlar pra que eu não fique louco. Mas louco mesmo, sabe? Louco maluco, daqueles que você manda pro hospício e até os pacientes de lá passam a evitar pra não serem contagiados.
O que acontece é que minha mente costuma ser meio perdida, pensa em várias coisas ao mesmo tempo, sendo que 98% destas são coisas bizarras, sem sentido e/ou imaginação além do necessário, enquanto os últimos 2% são dedicados ao que realmente está acontecendo de importante no momento.


Eu tenho uma séria dificuldade para ter conversas sérias, pois sempre que elas aparecem meu cérebro avacalha tudo dentro da minha cabeça. Simplesmente não consigo manter a seriedade por muito tempo quando todos estão sérios. Se o pessoal que estiver falando comigo estiver normal, ou até feliz e saltitante, eu consigo manter a seriedade na minha cabeça, mas se esse mesmo pessoal estiver sério e tendo uma conversa séria, minha cabeça não consegue manter a seriedade. Está confuso? Sim, mas eu avisei lá no começo que minha mente é meio perdida, pensei que já estivesse preparado. De qualquer forma, vou dar alguns exemplos:

Situação: Conversa com a gerente do banco.
Cenário real: A gerente fala sobre a troca do pacote de serviços que terei que fazer, mostra as opções diferentes de serviços pra contratar e sobre o funcionamento para mudança de agência bancária.
Cenário na minha cabeça: Eu me levanto e corro em círculos pela sala da agência, enquanto isso bato com as mãos em todos os papeis das mesas e tudo lá dentro vira um redemoinho de folhas A4 cheias de números, vírgulas e cifras. Até que eu paro de correr e pego um guarda chuva que tava perto de mim, e uso a gerente de poste enquanto canto Singin' in the Rain. Após terminar a música eu dou um mergulho na parede de vidro e saio da sala(e do banco) em grande estilo.

Situação: Reunião de trabalho.
Cenário real: Meu chefe falando sobre os diversos projetos do ano, quais as expectativas, as dificuldades, o que devemos fazer e qual a melhor forma de atingirmos nossos objetivos. Ele fala e todos ouvem atentamente com cara de sérios e dispostos a dar o melhor de si pela empresa (inclusive eu, exceto a parte do "ouvir atentamente").
Cenário na minha cabeça: No momento em que meu chefe abre a boca pra falar eu me levanto bruscamente jogando a cadeira pra trás, subo na mesa, faço um sapateado e enquanto todos olham perplexos pra mim eu escolho o mais feio do momento e dou um chute no meio da cara. Logo em seguida eu tiro a roupa de uma vez só, daquele jeito que você puxa e já sai tudo numa só rasgada. E então, pelado, eu pulo em cima da cabeça de um colega de trabalho e me equilibro com apenas um pé, e assim vou pulando de cabeça a cabeça, até completar todas da mesa, e depois volto pra cima da mesa, em frente ao chefe. Lá eu me ajoelho, começo a urinar na cara dele e logo em seguida grito "QUE TAL ENTÃO ESSE PROJETO DE GOLDEN SHOWEEER AAAAHAHAHAHAHA". Após isso visto minhas roupas novamente, volto pro meu lugar, e a reunião é finalizada.

Situação: Me declarar pra mulher que amo.
Cenário real: Estamos sentados num banco de uma praça, estou me preparando pra falar com ela, com os lábios tremendo e as mãos suando, assim como as axilas, que formam duas belas pizzas molhadas em cada um dos lados da minha camiseta do Pink Floyd.
Cenário na minha cabeça: Eu inicio minha fala dizendo "ér.. é.. então, o que eu queria dizer é-" logo a garota grita "SIM EU SEI EU TAMBÉM TE AMO PUTA QUE PARIU VEM CÁ ME BEIJA ME LEVA PRA CAMA VAMOS EMBORA PRAS ANTILHAS HOLANDESAS OU QUEM SABE PRA NOVA ZELÂNDIA OU QUEM SABE PRO INFERNO TANTO FAZ SEU LINDO SEU MARAVILHOSO EU QUERO É VOCÊ". Em seguida nós dois tiramos as roupas (adoro ficar pelado), nos abraçamos, nos beijamos loucamente, damos as mãos e saímos correndo pela rua, ao mesmo tempo em que damos voltas no eixo das nossas próprias mãos entrelaçadas, como hélices humanas apaixonadas à caminho da felicidade eterna [enquanto isso toca nos alto-falantes da cidade a música Good Old Fashioned Lover Boy]. E assim vamos correndo, a luz do Sol vai ficando cada vez mais e mais intensa, até que tudo se transforma finalmente em luz.

Situação: Qualquer uma.
Cenário real: Qualquer coisa acontecendo com qualquer pessoa.
Cenário na minha cabeça: Eu fico imaginando a pessoa dentro deste clipe do Radiohead, dançando igual ao Thom Yorke, com umas caras engraçadas e tudo mais. Confesso que fica bem engraçado me divirto muito, e serve pra qualquer situação, é só pegar o corpo da pessoa e trocar com o Thom.




ps.: eu sei que você também faz essas coisas na sua cabeça ok.

segunda-feira, agosto 27, 2012

A Cabra, a Sogra e o Dexter.



Tinha chegado o fim de semana e eu tava super animado, a ideia era ficar o dia todo embaixo do cobertor e finalmente terminar a quarta temporada de Dexter. Aliás, vale dizer eu tô bastante viciado em Dexter, às vezes me sinto até como se fosse ele, uma vontadezinha aqui e ali de enfiar a faca no peito de alguém, mas nunca passa da imaginação né. Sonhos relacionados ao assunto já são normais. Enfim, minha ideia de zerar Dexter no fim de semana logo foi por água abaixo, pois minha namorada deu a bela notícia de que passaríamos sábado e domingo no sítio dos meus sogros, que fica em Caçapava. Meu sogro havia viajado a trabalho pro Mato Grosso do Sul, e minha sogra ficaria sozinha com o caseiro no sitio, caso não fôssemos. Pra agradar a todos (menos a mim), fui pro maldito lugar. Quem sabe passar aquele fim de semana lá faria com que minha sogra passasse a demonstrar mais carinho por mim. (Já adianto que não deu muito certo)

O sítio até que é legal, tem bastante "verde" e vários animais por lá. Chegamos um pouco antes do almoço, comemos um belo frango assado, ou dois(minha sogra tava meio obesinha, comeu um quase sozinha), e fui descansar na rede depois. Eu estava lá deitado na varanda, relaxando, olhando pros cachorros que ficavam indo pra lá e pra cá, os cavalos lá longe, as vacas, até que eu vi que tinham cabras também. Interessante, cabras - pensei. Foi quando veio uma velha lembrança. Lembrei de uma noite em que eu estava na casa da minha avó, anos e anos atrás, assistindo ao Praça é Nossa (sim isso mesmo), na época em que ainda tinham o deputado Tiririca como um de seus integrantes. Lembro que ele falou algo de que na terra dele era normal iniciarem a vida sexual com cabras, talvez não com essas palavras, mas foi o que ele quis dizer. Isso foi um pouquinho chocante pra mim na época, e me fez lembrar diretamente de uma outra coisa, só que da época ATUAL: minha vida sexual. Quatro meses de namoro já e... nada. Não que eu seja um cara insensível que só liga pra isso, mas é que um homem tem suas necessidades afinal de contas. Fiquei ali refletindo sobre isso por alguns segundos até que ouvi um comunicado por parte da minha sogra. Ela disse que minha namorada iria com o caseiro até o centro da cidade comprar as coisas pro café da tarde e perguntou se eu iria junto, disse também que ela não iria pois tinha que tomar banho naquela hora pra não ter que perder a novela depois. Olhei pra ela, com preguiça de pensar, olhei pro horizonte, vi a cabra de relance, olhei de volta pra ela, pra cabra, pra ela, e por fim disse que ficaria ali no sítio mesmo descansando. Minha consciência não entendia direito o que estava acontecendo, ou pelo menos não queria me contar, mas percebi que o clima de repente mudou.

Ouvi o barulho do carro saindo, e logo depois um *SLAP*, que era o barulho da porta do banheiro que minha sogra havia acabado de fechar. Meu inconsciente então sussurrou algo como: "é agora". Olhei de longe em direção à cabra, e corri em direção dela. Eu não sabia bem o que passava pela minha cabeça, mas seguia em frente. Me aproximei, ela me olhou parecendo estar um pouco assustada, mas ao mesmo tempo com segundas intenções. Estava com aqueles olhos de ressaca, me encarando de relance, com a cabeça um pouco baixa, como quem come grama enquanto olha disfarçadamente pra sua presa sexual. Eu não sabia bem o que eu estava fazendo ali, mas de alguma forma ela me hipnotizou, e como num passo de dança ela se virou de costas pra mim, ao mesmo tempo que me desloquei pro lado e acabei ficando atrás de uma toalha pendurada no varal, como se assim eu me escondesse do resto do mundo. A hora era nossa, por trás da toalha aconteceria um momento sublime e marcante na vida de nós dois. Eu não sabia se gritava, se chorava, urinava, mas ao que tudo indicava eu estava realmente fazendo aquilo, e continuei. Por fim abaixei as calças, coloquei as mãos no traseiro da cabra, respirei fundo, fechei os olhos, ouvi um grito, e.. opa, ouvi um grito. Foi quando meu cérebro processou em 0.435 segundos a informação de que aquilo não poderia ser o grito de uma cabra, era mais similar ao de uma galinha, ou quem sabe de um marreco, ou quem sabe de minha sogra. Minha sogra. Abri os olhos.

Virei pra trás, e ali estava ela. Minha sogra havia esquecido a toalha no varal e, quando foi buscar, encontrou apenas seu genro de costas com as calças abaixadas e as mãos no traseiro de uma cabra. (quem nunca?)
Foi quando meu cérebro processou em 0.895 segundos várias informações, entre elas "qual a explicação mais plausível e prática que posso dar pra esta cena lamentável?", "teria sido bem mais fácil se a filha dela tivesse liberado a- ", "puta merda ela chegou bem na hora que eu ia m-", e a última foi "mas e se eu...", foi quando eu nem terminei o pensamento e dei uma senhora cotovelada no meio da fuça da senhora minha sogra. Ela caiu, porém ainda lúcida, e gritando algo parecido com "CREIDEUSPAI", foi quando eu dei uma senhora joelhada um pouco abaixo da fuça dela, sem deixar que ela terminasse seja lá a frase que fosse (obrigado Anderson Silva). E então ela caiu de uma forma mais caída que da primeira vez, daquelas que você olha e pensa: "nossa, mas dessa vez ela caiu feito uma jaca", e não se esperneou, levantou, gritou, falou, respirou. Estaria minha sogra morta? Ou melhor, teria sido minha sogra morta por MIM? Subiu uma onda de desespero + emoção inexplicável, e fiquei ali, perplexo, não sabia se deveria me sentir aliviado ou preocupadíssimo. Não tive nem tempo de escolher entre uma das opções pois ouvi um barulho familiar de carro entrando no sítio, o caseiro e minha namorada haviam retornado. E eu ali, com as calças no tornozelo, uma velha com a fuça sangrando aos meus pés, e uma cabra assustadíssima acompanhando aquilo tudo. Eis que decidi que era hora de usar tudo que havia aprendido com Dexter até então.


Continua...

domingo, janeiro 15, 2012

Adeus menoridade.


~~este post foi escrito em setembro de 2010~~

Hoje é meu último dia de vida com 17 anos de idade. E isso não significa nada. Não é que não significa, mas não é o que eu esperava que fosse há alguns anos atrás, pois eu achava que na manhã que eu acordasse com 18 anos eu ficaria estilo Super Sayajin, com uns poderes a mais, sairia dirigindo, enchendo a cara, comendo puta da Praça Afonso Pena, mas hoje sei que não é bem assim, pelo menos tudo isso.


As únicas coisas que mudarão são as que tem alguma coisa a ver com as leis, direitos e deveres, ou seja, uma merda foda, como diria Azaghal o Senhor da Oceania. A partir de amanhã poderei tirar carteira de motorista(que demora meses), poderei beber(que demora… não demora), mas se eu resolvo um dia dirigir e beber ao mesmo tempo sou preso! Meu pai não leva a culpa! Só porque eu tenho 18 anos! Porra Dilma!

Eu também posso a partir de amanhã solicitar os programas de uma garota (a de programa) sem ser recusado, afinal a lei prostitucional não permite que as prostitutas dêem o rab amor pra menores de idade. Mas como não tem nenhuma central de putas suecas por aqui, não vale a pena. Agora poderei ir à um Motel, bem mais prático, o problema(no meu caso um sério problema) é que a garota também deve ter mais que 18 anos, aí fode. Ou melhor, não fode. Porra Tiririca!

Resumo da ópera, meu corpo continuará igual, sem poderes, o único poder que vou ganhar é o poder ser preso com maior facilidade, afinal serei responsável pelos meus atos. De resto não muda muita coisa, até porque ainda tenho cara de 15, tamanho de 12 e cérebro de 10. Mas não deixa de ser supimpa(momento nostalgia) o fato de que eu serei maior de idade.

Só não sei se é “Adeus idade velha”, afinal 17 anos é mais novo que 18, porém é uma idade que eu não terei mais, ou seja, velha. Amanhã terei uma nova idade, mas que será mais velha do que a que eu tenho hoje. É uma questão pontual, ou não. Arnaldo?

quarta-feira, novembro 09, 2011

Pelado com a mão no bolso

Estava eu vasculhando os arquivos da minha mente problemática quando eu achei uma memória legal, a primeira vez que eu percebi que ficar pelado é uma coisa "safada" (eu juro que tentei achar uma palavra melhor).



Quando se é criança todo mundo pode te ver pelado que não tem problema, minha teoria é que isso acontece porque não tem aquela disputa de quem tem o órgão genital maior. Ser humano é assim, se existe alguma coisa que não seja igual pra todo mundo, vai ter uma competição pra ver quem tem essa melhor coisa. Assim é com tudo, principalmente com peitos, bundas e pênises(ficou legal né, pênises).
Como todas as crianças tem os órgãos genitais praticamente iguais até, sei lá, 9 anos de idade, essa disputa não acontece. Já quando chega a linda puberdade as coisas começam a crescer e os peitos, bundas e pênises são finalmente incluídos na disputa.

Voltemos então uns 11 anos no tempo, quando eu era uma criança pura e ingênua. Certo dia eu estava lendo um gibi* do Chico Bento, o que era comum já que eu lia muito Turma da Mônica naquela época, e numa história do gibi Chico estava em cima de uma árvore pra roubar as goiabas de Nhô Lau, como sempre. Enquanto Chico tava lá, não lembro de que forma, ele foi perdendo a roupa aos poucos até que ficou completamente nú em cima da árvore. Eu achei muito interessante aquela situação, pelado numa árvore roubando goiabas.

Detalhe, tinha uma goiabeira na minha antiga casa...

[Como eu não quero que você crie falsas expectativas com o texto já digo que não, eu não subi nela pelado.]

Vendo aquela história me bateu uma vontade repentina de ficar pelado, então tirei a roupa e fiquei nú correndo do banheiro pra sala e vice-versa, enquanto isso minha avó estava lavando roupa lá fora. Até que numa das vezes que eu passei da porta do banheiro e cheguei na sala me deu um estalo e eu cheguei a conclusão de que estava fazendo uma coisa errada. A partir de então a coisa ficou mais emocionante, é como se eu tivesse no redtube** com a porta do quarto aberta, a qualquer momento alguem poderia chegar e me ver daquele jeito. E foi então que eu percebi que ficar pelado era uma coisa voluptuosa**(ficou melhor que "safada"?).


Eu ainda queria emoção, mas como eu já era um cagão, coloquei a roupa e ficava tipo puxando a camisa pra cima com uma mão e a calça pra baixo com a outra, e em seguida botava de volta no lugar. A brincadeira era aguentar o máximo possível ficar parcialmente pelado e não se vestir, principalmente quando havia suspeitas de que estava chegando alguem. (espero que você esteja compreendendo o quão emocionante e perigoso era isso)
Até que numa das vezes em que eu tava com a roupa fora do lugar, minha mãe chegou. Me vesti em menos de um segundo e ela perguntou: "que isso"?, e eu respondi "nada, rs" de uma forma que ela visse que era uma babaquice qualquer que criança faz e não continuasse perguntando mais nada (isso na minha cabeça, claro).

Como a partir daquele dia eu sabia que ficar pelado é um ato VOLUPTUOSO, não preciso nem dizer que aquela foi a última vez em que minha mãe me viu sem roupas.

~~~~

*Gibi é uma revista de história em quadrinhos. Para ler um gibi você deve segurá-lo ou apoiá-lo em algum lugar e virar as páginas manualmente.
**Dizem que redtube é um site pornográfico. Eu não sei porque nunca acessei, obviamente.